NOTÍCIA PÚBLICO NA ESCOLA PARA A SALA DE AULA

Capa falsa do PÚBLICO circula pelas redes sociais

Primeiras páginas de vários jornais europeus foram alteradas. Uma notícia para a sala de aula.

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A capa do lado esquerdo é falsa; a do lado direito a verdadeira

Olha para as duas primeiras páginas do PÚBLICO que estão na foto de cima. A fotografia principal é diferente e o título dentro da fotografia também, não é?

A capa da direita é a verdadeira primeira página do jornal de 12 de maio. A imagem com fundo vermelho é uma fotografia de Keimer Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, noticiando a oposição que ele enfrenta no seu país.

A capa da esquerda é uma capa falsa: alguém colocou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em vez de Stairmer e colocou o título “Cheirador”.

Todas as outras notícias e imagens das duas capas são iguais. Só aquela foi mudada.

A capa falsa circulava na rede social X, numa página russa chamada Sbovodanews, um nome muito parecido com o de um jornal ucraniano chamado Sbovoda. (A Rússia e a Ucrânia estão em guerra.)

Na mesma conta da rede social X, foram publicadas as primeiras páginas de mais quatro jornais, com a data de 12 de maio, todas elas com notícias sobre Zelensky.

Um jornalista da equipa da Prova dos Factos, seção do PÚBLICO que investiga se as notícias publicadas nas redes sociais são verdadeiras ou não, foi ver as capas dos outros jornais e verificou que, tal como tinha acontecido com o PÚBLICO, tinham sido manipuladas: nenhum dos jornais havia publicado matérias sobre o presidente ucraniano. Aquelas primeiras páginas eram falsas.

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Capa do Bild, da Alemanha: o título da capa falsa (à esquerda) diz: "Nós damos dinheiro a um viciado em droga"
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Jornal Liverpool Echo, Inglaterra: a capa falsa (à esquerda) e a verdadeira
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Jornal Ouest France, de França: a primeira notícia e a fotografia principal foram apagadas e substituídas (capa original é a da direita)
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Jornal Jerusalem Post, de Israel: também aqui a notícia principal foi retirada e colocada outra (capa verdadeira à direita)

O que diziam os títulos das notícias sobre Zelensky?

Na capa falsa do PÚBLICO, o título é “Zelensky: cheirador”.

O que quer dizer “cheirador”? A palavra pode ser usada para identificar alguém que consome uma droga chamada cocaína. Trata-se de uma droga que se pode inalar pelo nariz; diz-se por isso que a pessoa “cheira” cocaína (tal como antigamente se cheirava rapé, uma espécie de tabaco).

Ou seja: a notícia que alguém colocou na capa falsa do PÚBLICO dizia que Zelensky era consumidor de cocaína. As notícias falsas dos outros quatro jornais também eram todas sobre o mesmo assunto.

No dia anterior à publicação das capas falsas, 11 de maio, a ex-porta-voz de Zelensky, Iuliia Mendel, foi entrevistada por um antigo apresentador de um canal de televisão norte-americano, a Fox News. Durante a entrevista, Tucker Carlson perguntou-lhe se o presidente ucraniano é consumidor de drogas. “Eu nunca o vi consumir drogas”, respondeu. “Mas ao escrever o meu livro, encontrei-me com muitas pessoas que confirmaram que o tinham visto consumir drogas em diferentes discotecas.”

A partir destas duas frases, alguém criou capas falsas de cinco jornais.

Porque é que isto acontece?

Este é um exemplo de desinformação.

Ao colocar-se uma mensagem destas na capa de jornais que existem de facto, torna-se mais credível para os leitores. Tem mais força do que se fosse uma notícia sem nenhuma fonte.

Como são jornais de países diferentes, o conteúdo é difundido por um território mais alargado, o que também a torna, aos olhos de quem lê, mais credível.

Mas a verdade é que estes jornais não publicaram estas notícias.

Isto já aconteceu mais vezes?

Sim. A página EU vs Disinfo, da União Europeia, identificou em fevereiro de 2025 “uma narrativa de desinformação pró-Kremlin recorrente com o objectivo de difamar o Presidente ucraniano, Zelensky”, baseada na ideia de que ele consome drogas.

Em 2023, começou a circular nas redes um vídeo que mostrava, segundo diziam utilizadores das redes, que havia cocaína numa secretária do Presidente ucraniano. As imagens foram manipuladas, segundo confirmou a agência de notícias AFP.

No ano anterior, a agência de notícias Reuters tinha também analisado um vídeo no qual, supostamente, Zelensky confessava ser consumidor destas substâncias. Mas tratava-se de conteúdo editado para veicular uma informação falsa.

Glossário:
Desinformação – Conteúdos falsos ou enganosos feitos com o propósito de enganar. Habitualmente, as pessoas usam a expressão "notícias falsas". Mas a desinformação engloba também, por exemplo, as informações que, apesar de serem verdadeiras, são alteradas porque são retiradas de contexto.

PARA SABER MAIS, leia no PÚBLICO: