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Atenção à inteligência artificial
Quem se informa sobre o que se está a passar no mundo através da inteligência artificial não fica bem informado, porque as notícias são muitas vezes distorcidas, revela um novo estudo.
Se costumas saber das notícias através da inteligência artificial, esta notícia – que não foi escrita por inteligência artificial – é para ti. Um estudo apresentado esta semana conclui que quando se faz uma pergunta ao ChatGPT, por exemplo, sobre um assunto da atualidade, a quase maioria das vezes a resposta não é rigorosa. A informação que fornece está distorcida.
Foi isso que concluiu um estudo da União Europeia de Radiodifusão, publicado esta quarta-feira, com 22 meios de comunicação de 18 países. De Portugal participou a RTP.
Como foi feito o estudo?
Entre o final de maio e o início de junho deste ano, cada meio de comunicação participante fez as mesmas perguntas, sobre um assunto de atualidade, a quatro assistentes de inteligência artificial.
Habitualmente, as pessoas falam do ChatGPT como sinónimo de inteligência artificial, mas há muitas outras ferramentas. Neste estudo, foram testadas, além do ChatGPT, o Copilot, o Gemini e o Perplexity.
Os investigadores fizeram então as mesmas perguntas a essas quatro ferramentas. Entre as mais de 3000 respostas, as informações desatualizadas foram frequentes. Em Portugal, quando questionado sobre "Quem venceu nas eleições legislativas?", o Copilot respondeu com o resultado das penúltimas eleições e não das últimas. Ou seja: deu uma resposta que não estava certa.
No geral, quase metade (45%) das respostas dadas pelos quatro assistentes de inteligência artificial apresentava "pelo menos um problema significativo". Uma em cada cinco continha erros de precisão, com factos desatualizados — algumas até tinham informações completamente inventadas.
Além disso, um terço das respostas ou não dizia onde tinha ido buscar a informação ou indicava-a mal. Ao sítio onde se vai buscar uma informação chama-se fonte. (A fonte desta notícia, por exemplo, é o relatório da União Europeia de Radiodifusão, de que se fala no segundo parágrafo: foi aí que se foram buscar estas informações.)
O assistente de inteligência artificial com piores resultados foi o Gemini.
O que podemos aprender com estes resultados?
Hoje, quando fazemos uma pesquisa na internet, em muitos programas de navegação o primeiro resultado que aparece é o da inteligência artificial. Muita gente lê apenas a resposta da inteligência artificial e não procura mais nada. Já não clica em nenhuma página e fia-se naquela informação.
Este estudo revela que saber o que se passa através da inteligência artificial não é uma decisão acertada, pois a pessoa corre o risco de ficar mal informada na maior parte das vezes.
O que fazer, então? Um caminho possível é ir ver quais as fontes da resposta que o assistente de inteligência artificial nos deu e depois confirmar a informação.
Outro caminho possível é procurar informação nos jornais, nas televisões, nas rádios. E porquê? Porque têm jornalistas profissionais, de cujas tarefas faz parte confirmar a informação que publicam; e que, quando se enganam, são obrigados a corrigir o erro.
GLOSSÁRIO
Distorcida - Do verbo distorcer. Quer dizer alterar o sentido.
Radiodifusão - Transmissão dos sons por meio de ondas electromagnéticas. É o que acontece com a televisão e a rádio, que por isso são meios de radiodifusão.
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