As Herdeiras, de Aixa de la Cruz. A dança dos espectros

Um romance é construído sobre variantes dos mesmos temas, permanentemente reiterados em vozes diferentes.

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Aixa de la Cruz é hábil na construção de uma narrativa encantatória Isabel Wageman
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A primeira vez que Nora aparece, neste romance da espanhola Aixa de la Cruz (Bilbau, 1988), vemo-la numa grande casa a remexer em gavetas, caixas e outros lugares menos visíveis, à procura e a recolher todos os comprimidos que vai encontrando, sob o olhar indiferente de Erica e o alheamento de Lis, e às escondidas de Olivia, que certamente entregaria todo aquele arsenal na farmácia mais próxima. A autora estabelece, desta forma e desde o início, uma forma de “jogo”, dançado por estas quatro mulheres que, como o título indica, herdam a casa de uma avó que decidiu acabar com a vida. São primas entre si, duas irmãs mais duas irmãs, numa simetria rigorosa, mas enganadora. “Erica e Nora contra Olivia e Lis. Primas que se preferem uma à outra em vez de às irmãs”, esclarece La Cruz.

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