Luzes, câmara, acção! As palavras que marcam o início de qualquer filmagem começam a rimar também com os aromas e sabores do vinho. São os holofotes dos famosos a iluminar vinhas e adegas, uma paixão crescente do star system que está a tornar o mundo do vinho cada vez mais cor-de-rosa. Um namoro que começou em França, na Provença, onde o negócio já se confunde com os nomes do cinema, mas que por cá vai fazendo também o seu caminho.

Não é de hoje, e nomes como os da artista Joana Vasconcelos ou dos ex-futebolistas Costinha e Maniche já tinham subido aos rótulos das garrafas, mas há uma nova geração que por estes últimos dias está a dar um novo impulso à tendência com a notícia de um tinto do Douro que soa a heavy metal. Um vinho criado pelo enólogo Álvaro van Zeller ao estilo e gosto dos elementos da banda britânica Iron Maiden.

Chama-se "Iron Maiden Darkest Red 2021", rótulo remete para a música Darkest Hour, um dos maiores êxitos do mais recente álbum da conhecida banda de heavy metal, lançado em 2021. Dessa colheita e com as castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, procura também na cor profunda, corpo e notas intensas de frutos negros a associação com a música, com o objectivo declarado de atrair aos coleccionadores e fãs da banda e uma nova geração de consumidores sempre mais motivada pela fama e mediatização do que pelas próprias qualidades dos vinhos.

"Escolhemos ou Douro porque é uma região com crescente reconhecimento e os vinhos portugueses estão a ser cada vez mais falados", disse o porta-voz da distribuidora associada à banda, mostrando-se convencido de que, em conjunto com outros instrumentos de marketing e comunicação dos Iron Maiden, "o vinho encontrará seu caminho para a clientela mais esquiva do mundo do vinho, mesmo entre as gerações mais jovens".

Uma bênção para o Douro, já que a associação à fama e mediatização se tem mostrado rentável e abre novos caminhos para os vinhos junto de novas gerações e tipos de consumidores. Mas também para o produtor, a agora denominada Van Zeller Wine Collection, nome que sucede à Barão de Vilar, Vinhos SA, e aposta numa nova estratégia e posicionamento no mercado nacional. Sendo a sexta maior exportadora de vinhos do Porto, a empresa volta-se agora também para o mercado interno e também os DOC Douro ZOM e Kaputt merecem cuidado e atenção.

Foi também com a associação à fama e mediatização que em poucos anos o estilo provençal dos vinhos rosés se impôs em todo o mundo. Hoje já não é só o sucesso do Miraval, lançado por Brad Pitt e Angelina Jolie, que quase do pé para a mão se converteu num negócio de mais de 50 milhões de dólares (números de 2021), mas também o de outros vinhos associados a nomes famosos como John Legend, Bon Jovi, John Malkovich, Kylie Minogue, Carla Bruni ou os realizadores George Lucas e Ridley Scott.

Por estes dias, o mundo do vinho associa-se também ao star system e universo cor-de-rosa à espera da apresentação dos primeiros vinhos (um rosé, claro, e um branco) da propriedade provençal de George e Amal Clooney, onde investiram cerca de oito milhões de euros. Para reforçar a carga emocional, até o próprio nome dos vinhos foi mantido em segredo.

Também em Itália, há muito que a Lamborghini distribui os seus espumantes em garrafas e caixas glamorosas pelos mercados mais luxuosos do mundo, enquanto mais recentemente Anna Fendi, aproveitando a fama da casa de moda de família, lançou a sua marca de vinhos, que distribui apenas pelos mercados de Itália, EUA e China, ou seja, aqueles que se mostram mais dispostos a consumir a exclusividade do luxo.

Uma exclusividade que chegou já até ao palco dos Óscares de Hollywood, onde desde há três edições o champanhe de Brad Pitt - um rosé, pois claro! - se tornou a bebida oficial da cerimónia, destronando décadas de exclusividade da Piper-Heidsieck, uma das mais históricas casas de champanhe. Agora, todos brindam com um vinho do seus, o Fleur de Miraval, cujo último engarrafamento é da colheita de 2018 (375€ em garrafeiratiopepe.pt).