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Como e onde avistar aves? Bons conselhos e muitas fotografias com asas

A Primavera está aí, vamos passear à procura de aves? Eis alguns conselhos para melhor observação, melhor fotografia. E para espreitar 39 espécies, trazemos aqui um birdwatching virtual, em fotografias captadas por Patrícia Carvalho.

Chapim-azul Patrícia Carvalho
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Chapim-azul Patrícia Carvalho

Ao contrário do que se possa pensar, não é preciso sair da sua área de residência para poder avistar um conjunto diversificado de espécies, mesmo que viva no centro da cidade. Às vezes, basta mesmo vir à janela de casa, desde que existam árvores no exterior ou qualquer pedaço de solo ajardinado. Se tiver um parque ou jardim por perto, as hipóteses aumentam. Basta estar atento e ter algum tempo.

No Porto, o Parque da Cidade é um dos locais apontados para avistar uma série de espécies e não precisa de um guia para se cruzar com o pato-real, o galeirão, o periquito-de-colar ou a pega-rabuda. Nos passadiços de Matosinhos, por exemplo, um simples passeio matinal pode fazê-lo cruzar-se, além de inúmeras gaivotas, com cartaxos, felosas, fuinhas-dos-juncos, cotovias-de-poupa, rolas-do-mar, pilritos, guinchos, borrelhos-de-coleira interrompida (que nidificam por ali) e, na época das migrações, borrelhos-grandes-de-coleira, maçaricos-galegos ou fuselos.

E, sem sair do concelho, se optar por percorrer o Corredor Verde do Leça, tem excelentes hipóteses de ver garças-reais, a águia-de-asa-redonda, o pisco-de-peito-ruivo, lugres, pintassilgos, toutinegras, rabirruivos, carriças, tordos, melros ou chapins das mais diferentes variedades.

Mas se tem mesmo vontade de ver espécies mais específicas (como as estepárias ou as limícolas das lezírias do Tejo) pode apreciar ter uma ajuda extra. A entrada no EVOA fica por 14 euros, para uma visita “normal”, mas há diferentes programas que lhe podem interessar, basta consultar o site. O espaço está aberto de terça-feira a domingo.

Já a empresa de João Jara, Birds & Nature Tours, oferece passeios com partidas do Porto, Lisboa e Algarve mas, na realidade, diz, podem ser feitas em qualquer ponto do território. Há programas de um dia só e pacotes de vários dias. Uma semana a percorrer o Tejo, Alentejo e Algarve pode custar mais de 2700 euros por pessoa, enquanto uma visita de um dia ao estuário do Tejo, por exemplo, lhe fica por 230 euros (290 se forem duas pessoas).

Mas, para quem não pode pagar estes valores ou prefere andar por conta própria, João Jara também dá uma ajuda. Com a Portugal Wildscapes criou a Rota de Observação de Aves, que tem estado a instalar diversos painéis informativos em pontos estratégicos de Castro Verde, Mértola e Serpa. Neste momento, são dez, até Abril devem ser 40. Em cada um deles aparece informação sobre as espécies possíveis de avistar naquela zona. “Queremos que quem não tem um guia, tenha na mesma uma boa experiência”, explica. É ir e experimentar.

Contudo, se faz parte daquelas pessoas para quem tudo o que voa são pardais, mas gostava de começar a perceber um pouco mais sobre as espécies de aves que o rodeiam, há ferramentas que o podem ajudar. Desde logo, apurar o ouvido e recorrer a uma das aplicações que ajudam à identificação de aves pelo som, como a Merlin. Qualquer investigador que trabalhe com aves lhe vai dizer que muitas vezes detectam a presença de uma determinada espécie pelo ruído, nunca chegando a ver o indivíduo que o produziu. Mas não é sempre assim e, visualmente, também não faltam ajudas.

A melhor e mais completa será o Guia de Aves, coordenado pela SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, e que está coberto de imagens de todas as espécies que pode encontrar por cá e no resto da Europa, descrição das suas principais características e informações sobre as partes do território em que podem ser observadas e em que épocas.

Na internet, a página Aves de Portugal, criada por Gonçalo Elias há anos e recentemente renovada, é, como ali se anuncia, “o portal dos observadores de aves” por excelência.

E, caso se tenha aventurado a fotografar algumas aves, a ferramenta de identificação de imagens do Google pode ser um bom ponto de partida para perceber que animal apanhou - ainda que convenha depois confirmar, com o Guia de Aves ou o portal Aves de Portugal, porque ele nem sempre acerta.

Por fim, se quer mesmo ir além da observação e gostava de incluir a fotografia no seu contacto mais próximo com as aves, não se esqueça que deve fazer os possíveis para não as importunar. Um abrigo, onde fica escondido (as aves ouvem e vêem, não se esqueça), será sempre o ideal, mas nem sempre é possível. Estar atento, manter-se silencioso, procurar locais com bebedouros ou poisos preferenciais para as aves podem ajudar. E ter uma máquina com uma lente decente também. O guia Como Observar e Fotografar Aves, de Gonçalo Elias e José Frade, explica-lhe tudo, caso esteja interessado em levar a fotografia mais a sério.

Cartaxo-nortenho
Cartaxo-nortenho Patrícia Carvalho
Fuinha-dos-juncos
Fuinha-dos-juncos Patrícia Carvalho
Fuselo
Fuselo Patrícia Carvalho
Galinha-d'água
Galinha-d'água Patrícia Carvalho
Peneireiro
Peneireiro Patrícia Carvalho
Perna-vermelha
Perna-vermelha Patrícia Carvalho
Petinha-dos-prados
Petinha-dos-prados Patrícia Carvalho
Pilrito
Pilrito Patrícia Carvalho
Pintarroxos
Pintarroxos Patrícia Carvalho
Pisco-de-peito-ruivo
Pisco-de-peito-ruivo Patrícia Carvalho
Rabirruivo Preto
Rabirruivo Preto Patrícia Carvalho
Toutinegra-de-barrete-preto
Toutinegra-de-barrete-preto Patrícia Carvalho
Toutinegra-dos-valados
Toutinegra-dos-valados Patrícia Carvalho