“Fui sempre transparente no reconhecimento do trabalho de Pichardo”, diz Nélson Évora

Campeão do triplo salto diz que quis sublinhar que há outros atletas que aguardam nacionalidade portuguesa e que querem as mesmas oportunidades para representar Portugal.

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Nélson Évora diz que as suas declarações foram mal interpretadas Mike Blake

Nélson Évora recorreu esta esta terça-feira às redes sociais para esclarecer as suas declarações à Rádio Observador, que motivaram uma resposta de Pablo Pichardo em mais um episódio numa série de atritos, que se arrasta há vários anos, entre os dois campeões mundiais do triplo salto por Portugal.

"Fiz questão de parabenizar o trabalho do atleta Pablo Pichardo e foquei a importância e agrado de haver sucessores no atletismo. Fui sempre transparente no reconhecimento do trabalho de Pablo Pichardo", começou por escrever no Instagram, pela mesma via com que Pedro Pichardo reagiu à entrevista de Nélson Évora ao podcast "40 minutos".

O campeão do mundo de 2007 e campeão olímpico de Pequim continua dizendo que ter sido "mal interpretado": "Aquilo que quis frisar com a questão das nacionalidades é que todos os atletas, nas mesmas circunstâncias, merecem as mesmas oportunidades de igualdade para representar Portugal."

"Tenho vários amigos numa situação de espera de nacionalidade, pelo que o foco é para que não se esqueçam dos outros atletas que honrosamente possam e queiram representar Portugal", continua Évora. Por isso mesmo, diz, quis apelar "à necessidade de uma política de desenvolvimento das modalidades e do atletismo em Portugal, sublinhando a importância da formação e da cultura desportiva escolar para contribuir para o sucesso do desporto em Portugal".

Na entrevista em questão, Nélson Évora disse que as medalhas de Pichardo são resultado de um "investimento feito no curto prazo". "Foi comprado um atleta para poder ter resultados a curto prazo", acusou, depois de admitir ter ficado "contente" pela conquista de Pablo Pichardo e de observar que Portugal não tem atletas na formação com saltos que adivinhem uma progressão para lutar por medalhas nos grandes eventos.

Pichardo respondeu, considerando-se desrespeitado por Évora. "Quando dizes que fui comprado estás a faltar-me ao respeito, não sou uma prostituta nem sou como tu que saíste a mal do clube porque te ofereceram mais. Não sei que problemas tens na cabeça ou se tens problemas com alguém que está no Benfica, mas não deves misturar as coisas e falar de mim”, respondeu Pichardo.

Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, também reagiu: "Dizer que a Federação compra atletas é intolerável. É intolerável ouvir essa palavra. Nós não compramos atletas de maneira nenhuma, nós apoiamos atletas para chegarem à excelência".

No esclarecimento desta terça-feira, Nélson Évora disse ainda respeitar o trabalho da comunicação social, mas admitiu ter ficado insatisfeito com a forma como o que disse foi enquadrado.

"Não deixo de ficar triste por, numa entrevista sobre a minha carreira, terem dado ênfase a uma pequena parte, não respeitando a mensagem no seu todo", concluiu.

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