No País dos Arquitectos: na reabilitação do Palacete de Santa Catarina, a história serviu de inspiração

Neste episódio, ouvimos a arquitecta Teresa Nunes da Ponte. O podcast No País dos Arquitectos é um dos parceiros da Rede PÚBLICO. Segue-nos nas plataformas habituais.

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Palacete de Santa Catarina, em Lisboa,Palacete de Santa Catarina, em Lisboa Fernando Guerra,Fernando Guerra
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Palacete de Santa Catarina, em Lisboa Fernando Guerra
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Palacete de Santa Catarina, em Lisboa Fernando Guerra
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Palacete de Santa Catarina, em Lisboa Fernando Guerra
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Palacete de Santa Catarina, em Lisboa Fernando Guerra

No 50.º episódio do podcast No País dos Arquitectos, Sara Nunes, da produtora de filmes de arquitectura Building Pictures, conversa com a arquitecta Teresa Nunes da Ponte sobre o projecto de reabilitação do Palacete de Santa Catarina. Também conhecido como Verride Palácio de Santa Catarina, o edifício situa-se ao lado do Miradouro de Santa Catarina, em Lisboa.

Logo no início da conversa, a arquitecta lembra que teve oportunidade de conhecer melhor o lugar com o historiador José Sarmento de Matos. A construção original remonta ao período após o sismo de 1755. Há indicações de um edifício anterior, mas do qual nada restou após o terramoto. Após o sismo, o edifício passou por vários proprietários e teve diversas finalidades. Em 1910, foi adquirido pelo Conde de Verride, que instalou uma escadaria curva num antigo pátio e criou um piso nobre no primeiro andar.

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Em 1986, Kees Eijrond começou a visitar várias vezes a capital e, anos depois, interessou-se pelo edifício. Graças à sua perseverança, conseguiu adquiri-lo em 2010: “Apesar de ter tido várias alterações, o edifício manteve sempre uma leitura muito clara e fácil de adaptar, o que é muito bom num projecto de reabilitação”. Ou seja, a arquitectura pombalina permitiu uma certa flexibilidade e deixou pistas para a transformação do espaço.

A arquitecta refere ainda que o atelier trabalha com Kees Eijrond desde 2002 e há entre eles uma “sintonia muito grande”. Esse espírito de parceria com o dono de obra influenciou pela positiva todo o processo: “Uma das grandes preocupações que tivemos foi recuperar as vistas que o pombalino tinha com a paisagem.” A arquitecta indica que um novo edifício foi criado e houve uma grande proximidade do atelier em relação à obra: “É um edifício que sempre foi muito próximo para nós. Sempre o víamos da janela, passávamos por lá... Essa proximidade permitiu-nos ir muito ao sítio. Depois, durante a obra, fizemos um acompanhamento completamente diário.”

No edifício existem 19 quartos, incluindo as suítes do ‘Rei’ e da ‘Rainha’. A suíte do ‘Rei’ destaca-se pelas madeiras trabalhadas, enquanto a da ‘Rainha’ tem elementos de estuque, azulejos de autor e uma sala com banheira “no espaço de entrada que está virada para a vista” sobre a cidade. Teresa Nunes da Ponte recorda que Jorge Salavisa, também amigo de Kees Eijrond, chegou a ter residência permanente no Hotel Verride.

Uma das premissas do projecto era respeitar a história do lugar: “Eu acho que o passado é sempre inspirador. Acho que inventamos pouco. Damos outra forma a muitas soluções que já foram inventadas.” Adaptando o programa “à luz dos princípios actuais”, optou-se por construir de novo o último piso e o edifício adjacente dos anos 1970: “O dono de obra queria muito um hotel de grande qualidade”. O corpo novo reveste-se na mesma pedra de lioz “dos cunhais e das cantarias” do palacete e a fachada nascente é constituída por “frestas verticais de pedra e vidro”: “No fundo, nas intervenções contemporâneas no edifício acabamos por utilizar sempre os materiais que construíram o edifício.”

A investigação histórica também contribuiu para a intervenção contemporânea. Na suíte da ‘Rainha’, por exemplo, o rococó foi conjugado com os elementos contemporâneos: “Nós queríamos pintar aquelas paredes de branco ou de um tom muito claro, mas elas estavam pintadas de cor-de-rosa, verde e uns dourados por causa dos restauros que foram feitos anteriormente. E os dois historiadores (José Sarmento de Matos e António Miranda) ajudaram-nos imenso para podermos pintar todo aquele espaço monocromático.”

Teresa Nunes da Ponte sublinha que este foi um “processo muito interactivo” e menciona que os interiores do hotel, inclusive o mobiliário, foram decorados pelo designer Andrea Previ. Como as novidades não cessam, a arquitecta adianta: “Existe um espaço, nas antigas lojas agrícolas, que já foi um restaurante e que estamos a adaptar para ter um bar e um espaço cultural.” Este último será afecto às actividades de uma fundação, criada por Kees Eijrond, “que dá apoio a jovens artistas portugueses”. Para além disso, o atelier Teresa Nunes da Ponte Arquitectura está agora a desenvolver o projecto de extensão do hotel.


No País dos Arquitectos é um dos podcasts da Rede PÚBLICO. Produzido pela Building Pictures, criada com a missão de aproximar as pessoas da arquitectura, é um território onde as conversas de arquitectura são uma oportunidade para conhecer os arquitectos, os projectos e as histórias por detrás da arquitectura portuguesa de referência.

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