No reino dos doentes o que significa ser saudável?

No interior do Museion, em Bolzano, no norte de Itália, a exposição de arte contemporânea Kingdom of the Ill, centrada em questões relacionadas com saúde, acesso a cuidados médicos, contaminação e terapias alternativas, promete inquietar quem a visita. Num país fortemente afectado pela pandemia, onde a extrema-direita acabou de chegar ao poder, o tema central da exposição não poderia ser mais pertinente. O Ípsilon visitou a exposição e trouxe na bagagem matéria para reflexão.

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Ana Marques Maia

No interior de um edifício de arquitectura alienígena, um cubo brilhante com fachada de vidro e alumínio prateado que pode ser vista claramente das montanhas que cercam Bolzano, decorre uma exposição de arte contemporânea que promete inquietar os habitantes de uma cidade conhecida, em Itália, pela pesada herança histórica de duas ditaduras, pela convivência, nem sempre pacífica, de duas populações de raiz cultural diferente, pela elevada taxa de suicídios e de toxicodependência. Num período que quase se pode designar de pós-pandemia, num país onde a implementação de medidas de contenção do vírus SARS-Cov 2 colocou em causa alguns direitos fundamentais dos cidadãos e onde a extrema-direita acabou de chegar ao poder, o tema central da exposição não poderia ser mais pertinente. Kingdom of the Ill reúne trabalhos de mais de 20 artistas que se debruçam sobre os temas da saúde, do acesso a cuidados médicos e da contaminação.

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