Netflix anuncia a série Berlín, a versão ladrão light de La Casa de Papel

Spin off do fenómeno espanhol ainda não tem data de estreia e nem foi filmada, mas quer ser uma visita “ao lado mais lúdico, luminoso, cómico e romântico do personagem”.

Foto
Pedro Alonso como Berlín DR

Ainda não tem data de estreia, ainda não está completamente escrita, mas já quer roubar atenções: Berlín é o spin off do fenómeno La Casa de Papel e centra-se na personagem homónima do grupo de mascarados que a Netflix tornou famosa. Montou uma conferência de imprensa na tarde desta quarta-feira para provocar, e pouco mais, mas ainda assim para dizer que este será um ladrão light. “A minha personagem é um parque de diversões: sobrevive à morte, ao limbo, ao inferno, ao lado negro”, descreveu o actor Pedro Alonso a partir de Madrid.

Regressado do mundo dos mortos? Nem por isso. Berlín, que é como uma casa muito engraçada que ainda não tem fim escrito nem foi filmada, é uma prequela que o Midas espanhol da Netflix, Álex Pina, escreveu para explicar a vida do carismático personagem antes do assalto da primeira temporada de La Casa de Papel em 2017 que acabaria por vitimá-lo. “Porque é uma personalidade 360.º”, diz Pina a uma plateia tanto presencial, em Madrid, quanto digital mundo fora, “que não tem um caminho claro e que a qualquer momento tem um curto-circuito”.

Ainda não se sabe quantos episódios terá, os autores não sabem qual será o seu final e não se revela se outros personagens de La Casa de Papel aparecerão neste spin off - embora qualquer franchise que se preze nos tempos que correm não dispense um desses momentos. Andrés de Fonollosa, nome de código Berlín na amálgama de referências pop do cinema anglófono com salero que é La Casa de Papel, será uma espécie de “ladrão de casaca”, admite Álex Pina, mas “não tem nada a ver com Lupin”, responde a uma pergunta da imprensa espanhola.

Lupin é outra série Netflix em língua não-inglesa que captou atenções, mas das brevíssimas imagens de Berlín mostradas na conferência de imprensa - mais um genérico ou teaser do que uma cena - a atmosfera é mais de um James Bond-Austin Powers com o charme de Ocean’s Eleven. “A coluna vertebral [da série] são os assaltos e o grupo de ladrões”, diz a co-autora Esther Martinez Lobato. Os roubos “são tipo David Copperfield, têm um componente de prestidigitação”, completa Pina.

Os dois autores transmitem repetidamente a vontade de oferecer algo confortável e leve sobre Berlín, uma das personagens com mais carga dramática de La Casa de Papel. “Virámo-nos para uma narrativa com espírito de comédia romântica e com uma gramática mais antiga e confortável”, diz Esther Martinez Lobato, com Pina a corrigir que esta não é uma comédia romântica mas sim uma visita “ao lado mais lúdico, luminoso, cómico e romântico do personagem”.

Passada num tempo anterior a La Casa de Papel, mas indefinido, procura “poucas ligações óbvias entre as duas séries — descartámos todas as coisas que eram evidentes”, disse ainda Pina.

No centro do palco e de uma encenação de um leilão, a conferência de imprensa tinha o rosto sorridente e a voz grave de Pedro Alonso. Desde o êxito da série original, “a minha vida tem sido prenda atrás de prenda”, diz. “O personagem tem chicha? Sim. É como um tapete mágico que nos pode levar a vários sítios?” O ar satisfeito do actor de 51 anos responde à segunda pergunta retórica.

Berlín é mais uma peça do franchise La Casa de Papel, que terminou em 2021, visto que além da série original existe a versão La Casa de Papel: Coreia. Será filmada em Paris e em Espanha.

Sugerir correcção
Comentar