Messias? Não obrigado

A família criada por Elmano Sancho é representada com muito brio e precisão pelo autor e encenador, Joana Bárcia e o exemplarmente comovente Vicente Wallenstein no papel principal, não é muito diferente das outras.

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Em "Jesus, o Filho", acontecimentos bíblicos não são para aqui chamados. Antes, a relação desastrosa entre filhos e pais filipe ferreira
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O busílis deste Jesus que dá nome à peça é não querer nem de perto nem de longe ser qualquer espécie de exemplo filipe ferreira
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O austero cenário é de Samantha Silva e o desenho de luz de Pedro Nabais filipe ferreira

Um hikikomori é uma daquelas pessoas que, cansado de ou por não suportar a pressão social, simplesmente por falta de auto-estima ou por outras quaisquer razões que a ciência ainda não diagnosticou, se fecha em casa e faz o que pode para evitar tanto quanto possível o contacto físico com o resto da vida real. Acontece muito entre jovens no Japão. Jesus, por sua vez, não é uma condição mental. É um nome que o cristianismo crismou como exemplo de justiça, sacrifício, rectidão, esperança carregada de misticismo, bondade, fé. O nome dessacralizou-se com o tempo e com o uso, mas quando se fala em Jesus, mesmo quando se trata de um treinador de futebol, evoca-se sempre uma entidade de alguma maneira salvífica, um messias. O busílis deste Jesus que dá nome à peça é não querer nem de perto nem de longe ser qualquer espécie de exemplo. Pelo contrário, em vez de espalhar a mensagem de paz e amor e um mundo melhor, a sua vontade é morrer… E assim safar-se do mundo que lhe deram para viver – que é como quem diz: os outros que se lixem.

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