O que são red flags num relacionamento? E como lidar com elas?

São pistas de que algo pode estar ou vir a correr mal. Podem ser diferentes crenças e valores ou traços de personalidade com os quais não conseguimos lidar. A solução passa por conversar... ou abandonar.

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Red flags são pistas de que algo pode estar ou vir a correr mal DR

Estamos num encontro com alguém que, de repente, começa a falar mal do ex. Ou maltrata o empregado de mesa. Ou não pára de falar de si. Podemos identificar logo um problema, ou, se estivermos muito encantados, talvez só nos caia a ficha quando estamos a narrar o encontro a um amigo que nos interrompe e diz: “Red flag!”

Mas o que são essas bandeiras vermelhas? Ouvimos falar delas, mas serão diferentes de simples defeitos? Como as identificamos e lidamos com elas? Rute Agulhas, psicóloga clínica e forense, explica no que consistem e em que momento devemos ponderar abandonar o barco.

O que são red flags?

São pistas, “sinais de alerta de que algo poderá não estar bem (no presente) ou vir a correr bem (no futuro) na relação”, começa por referir a psicóloga.

Estas bandeiras vermelhas podem relacionar-se com diversas questões, que podem ir desde a dificuldade do parceiro “em encontrar espaço e disponibilidade para a relação”, à relação que mantém “com a família de origem”, mas também se podem relacionar com “diferentes valores, crenças ou objectivos de vida” ou ainda “traços de personalidade com os quais temos dificuldade em lidar”. E, claro, “situações de infidelidade ou violência”.

Como identificar uma red flag?

Podemos, antes de mais, fazer uma distinção entre bandeiras vermelhas e bandeiras amarelas, consoante a gravidade das situações. Uma piada falhada não será, provavelmente, tão grave como insultar alguém no trânsito.

Mas como saber se estamos perante uma delas? Ouvindo as nossas próprias sensações. “As nossas emoções são um barómetro muito importante que nem sempre escutamos devidamente”, alerta Rute Agulhas. “Se algo nos faz sentir desconfortáveis ou uma emoção mais desagradável, é fundamental parar um pouco e olhar para dentro. O que estou a sentir? O que se passou? O que penso sobre esta situação?” No fundo, será o nosso próprio bem ou mal-estar perante um acontecimento que nos vão indicar se o comportamento da outra pessoa é uma bandeira vermelha (ou amarela) para nós.

Que comportamentos podem ser red flags?

Apesar de as nossas emoções serem um bom indicador, há alguns comportamentos que podem ser considerados, à partida, red flags.

“Se pensarmos, por exemplo, nas crenças, valores ou objectivos de vida, que podem ser muito diferentes entre parceiros, alguns sinais de alerta poderão ser a imposição da sua forma de ver o mundo, de modo rígido e inflexível. A baixa tolerância e a dificuldade em aceitar a diferença.” O desejável numa relação será, à partida, uma situação em que as pessoas “se aceitam e [onde se] integram as diferenças do outro”.

Há também traços de personalidade que podem ser motivos de alerta: “Aqueles que envolvem maior rigidez de funcionamento, egocentrismo, baixa empatia e dificuldade em resolver problemas e conflitos de forma assertiva.” E estes são traços que podem surgir associados a situações de violência “que podem começar por comportamentos mais subtis, associados a uma tentativa de controlo do outro, tantas vezes justificada com o ciúme como uma prova de amor”.

Devemos deixar alguém quando sinalizamos uma red flag?

“Depende da gravidade da situação”, refere Rute Agulhas. Importa perceber, antes de mais, se é uma bandeira amarela ou vermelha. Depois, é importante “conversar com o outro, partilhar o que pensamos e sentimos” e, daí, partir para uma tentativa de “consensos e mudanças”. Se esta negociação não for possível, o melhor pode ser mesmo o afastamento.

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