Quando Ana Luísa Amaral esteve como convidada em Fevereiro passado no Encontro de Leituras, o clube de leitura do PÚBLICO e da Folha de S. Paulo que reúne leitores de língua portuguesa de várias partes do mundo, apareceram vários leitores atentos da sua obra (quer deste lado, quer do outro lado do Atlântico); amigas de longa data e muito importantes na sua vida - como a professora Maria Irene Ramalho -, mas também quem estava a conhecê-la e à sua poesia pela primeira vez.

No final, um dos participantes agradecia-lhe no chat por "uma noite deslumbrante" acrescentando que ouvir Ana Luísa Amaral "em tempos como estes" era "um bálsamo para a alma".

Uma outra leitora confirmava que era "sempre uma alegria ouvi-la". Dizia-lhe ainda que sentia que "a poesia começava no som da sua voz". Muitos bateram palmas e acrescentaram que era "exactamente isso": "a poesia começa no som da voz da Ana Luísa".

"Muito obrigada, sempre, Ana Luísa pela sua verdade", disse alguém que lamentava ter entrado tarde na sessão e muitos foram os que escreveram que o encontro com a escritora tinha sido "maravilhoso", "um prazer", "um momento de excepção".

Ana Luísa Amaral morreu nesta sexta-feira aos 66 anos, mas deixou-nos a sua obra e as memórias que temos dela. 

Essa sessão do Encontro de Leituras pode ser ouvida no Podcast dedicado aos melhores momentos do evento. 

Ao longo dos anos, Ana Luísa Amaral publicou alguns textos de opinião no PÚBLICO. Aqui estão os últimos

Em Maio, a Assírio & Alvim publicou a antologia O Olhar Diagonal das Coisas, que reúne toda a sua obra poética que se entende por mais de 30 anos e tem um posfácio de Maria Irene Ramalho. 

POESIA

O Olhar Diagonal das Coisas
Autoria: Ana Luísa Amaral
Editora: Assírio & Alvim
1384 págs., 44€
Nas livrarias desde Maio

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No ano passado, o jornalista Luís Miguel Queirós passou várias horas em casa de Ana Luísa Amaral a conversar com ela. Esse diálogo resultou numa das melhores e mais divertidas entrevistas que li dela. 

Também no Ípsilon, a professora Helena Buescu fez leituras atentas dos seus últimos livros: Ágora e Mundo.

Esta tarde, o professor Osvaldo Manuel Silvestre enviou-nos um lindíssimo depoimento: "Agora que já não poderemos rir com a Ana Luísa ou ouvir a voz doce em que dizia coisas nem sempre doces, é altura de reabrir os livros e voltar a lê-la, em silêncio ou em voz alta. Mas isso, se me permitem, fica para depois do luto, pois agora é tempo para interiorizar o choque da sua ausência."

O crítico António Guerreiro regressou à sua obra

E os jornalistas Mário Lopes e Pedro Rios escreveram o obituário que sairá amanhã no jornal impresso. 

Nele relembram o momento do Encontro de Leituras em que Maria Irene Ramalho, orientadora no doutoramento sobre Emily Dickinson que Ana Luísa Amaral concluiu em 1995, conta que lhe costumava perguntar: "ó Ana Luísa, diga-me cá uma coisa, comete poemas, por acaso?". Sim, Ana Luísa "cometia" poemas. Maria Irene insistiu que deveria publicá-los. Assim nasceu Minha Senhora de Quê, publicado em 1990 com posfácio de Maria Irene Ramalho.

Ana Luísa Amaral dirigia há cinco anos um programa de rádio sobre poesia, na Antena 2, com o jornalista Luís Caetano: O som que os versos fazem ao abrir. Os seus arquivos, indispensáveis para memória futura, estão disponíveis na RTP Play e no Spotify. 

Neste momento só podemos agradecer e dizer: Muito obrigada, Ana Luísa, por tudo o que nos deu.

A  próxima convidada do Encontro de Leituras é a escritora Dulce Maria Cardoso, com o romance Eliete: a Vida Normal, que acaba de ser publicado no Brasil pela Todavia e está publicado em Portugal pela Tinta-da-china. A sessão acontece no próximo dia 9 de Agosto, às 22h de Lisboa (às 18h de Brasília). Aqui fica o link para quem quiser participar:

https://us06web.zoom.us/j/86345699958?pwd=SXk3bkZIcFduU2JRT0Q2a0xmTWdzZz09

 

 

 

 

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