A escola é um campo de batalha

Há muito tempo que não se via crianças assim no cinema, em estado semi-selvagem ainda que no “cativeiro” de um pátio de escola primária: Recreio, de Laura Wandel.

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Dizer que a escola é um campo de batalha, a propósito de Recreio, nem se refere ao campo de batalha ideológico em que a escola e a educação, se não o foram sempre, se tornaram nos últimos anos. A batalha, no filme de Laura Wandel, está antes disso, é visceral, primitiva, quase animal, seguramente pouco apropriada a quem goste de vir com o seu Rousseau atestar a bondade natural do mundo: é a batalha da infância, é a batalha da imensa violência da infância. Só os muito bons filmes sobre a infância — e são cada vez menos no mundo dito “ocidental”, onde o olhar sobre as crianças tende a ser o resultado de um misto entre uma visão catequista e uma visão publicitária — são capazes de a retratar sem a elidir, a violência mas também os seus elementos conexos (como o medo, como a vergonha, como a rejeição, entre outros).

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