Arquitectura

Em Grândola, há uma casa que é como se “tivesse crescido” da terra

Localizada numa região "selvagem", a obra desenhada por Pedro Silva Lopes teve como guias o terreno, o relevo e a exposição do sol. 

©Lourenço Teixeira de Abreu
Fotogaleria
©Lourenço Teixeira de Abreu

No centro de um declive e no meio de um extenso pinhal está a casa Melides, uma moradia unifamiliar de um único piso construída em tons de terra, “que sai e que está agarrada à terra”, como se “tivesse crescido”, explica o arquitecto Pedro Silva Lopes, do estúdio Fragmentos

Localizada em Grândola, a casa Melides faz a transição entre “o espaço selvagem” e “um espaço acolhedor”, a partir de um paisagismo que “resolve todas as cicatrizes que são criadas num terreno natural” pela intervenção arquitectónica. A moradia ainda tem poucos vizinhos, mas essa situação tem vindo a mudar com a chegada de novos projectos imobiliários na região. "Há claramente uma apetência por aquela área”, afirma. Que muito tem “a ver com o ar ainda selvagem e como se consegue ser muito autêntico”. 

A ausência de um hall de entrada faz o projecto iniciar por um pátio central, o qual serve como “mediador” e “distribuidor". “Ele acaba por ligar toda a casa: liga os quartos com o exterior, liga a zona social, liga a entrada da casa. É uma rótula e toda a distribuição se faz a partir dele”, diz. 

Dessa forma, cada uma das cinco suítes tem saída para a área externa, o que concede às divisões independência, privacidade e intimismo. “É quase como se fosse um pequenino hotel”, afirma. As cores das casas de banho também ajudam a atribuir a cada uma identidade. “É como identificar as casas de banho pelo tom, pela cor do azulejo. O material é o mesmo, mas a cor é outra. É quase como dar um nome”. 

“Para além do terreno, do relevo”, o desenho teve em consideração os níveis de luz natural. “A ideia de virar toda a zona social da casa ao pôr-do-sol”, revela. Assim, as janelas são posicionadas nas frentes da casa mediante a exposição solar: quanto maior a exposição, maior a quantidade de janelas. “A ideia de vivência, de fim de tarde, com o copo na mão a ver aquela vista e a ver o pôr-do-sol foram fundamentais”, conclui.

©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu
©Lourenço Teixeira de Abreu