Maria Reis, rainha, na melhor versão de si

Benefício da Dúvida é o novo álbum da compositora e cantora da Cafetra. Sete canções infalíveis que mostram a vida a acontecer, com Maria a reencontrar-se com o grunge, a atirar-se à viola campaniça, a tocar com a irmã Júlia. Não, isto não é um regresso das Pega Monstro, mas elas andam aqui. Esta quarta-feira, na Culturgest, em Lisboa, arranca a tour de apresentação do disco, que passará por várias cidades do país.

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Beatriz Blasi

“Eish, estamos velhas!”. O desabafo surge a meio da conversa, entre recordações, constatações e divagações, mas sem ceder a nostalgias ou saudosismos. Pelo contrário: deu um quentinho bom perceber que foi há 11 anos que as irmãs Maria e Júlia Reis, então adolescentes, lançaram o primeiro disco como Pega Monstro, O Juno-60 Nunca Teve Fita. Estávamos nos momentos iniciáticos da Cafetra, editora e grupo de amigos que pôs em curso uma pequena mas incontornável revolução na música portuguesa independente, no flanco ligado ao rock e à cantautoria. Estávamos numa Lisboa, num país, num mundo a levar forte e feio com as sequelas da crise financeira de 2008; o estado de espírito do povo não estava no seu melhor; as guitarras, essas sim, estavam em altas, um dos eternos e melhores remédios contra o desalento. Apesar de tudo, e por causa de tudo, fazia-se acontecer, abria-se caminho, pairava no ar uma energia contagiante.

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