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A ira das geadas, as vinhas do fogo. Na Borgonha tenta-se tudo para salvar as uvas

Nas regiões mais a norte de França, os vitivinicultores voltam a defender as suas vinhas de geadas primaveris extremas recorrendo ao fogo. Tochas, fogueiras, velas, fumo: tudo serve elevar alguns graus o ambiente. As alterações climáticas estão a tornar a situação cada vez mais frequente.

Depois de aquecerem as vinhas, os viticultores aquecem-se a si próprios numa fogueira em Chablis, Borgonha EPA/YOAN VALAT
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Depois de aquecerem as vinhas, os viticultores aquecem-se a si próprios numa fogueira em Chablis, Borgonha EPA/YOAN VALAT

Em Chablis, na Borgonha, o frio extremo volta a assustar os vitivinicultores e a ameaçar as vinhas. A solução não é inédita, já no ano passado foi necessário recorrer a ela, mas tem vindo a tornar-se cada vez mais frequente: aquecer as vinhas como se pode. Tochas, fogueiras, velas, fogareiros, queimadores a gás, tudo serve desde que aqueça alguns graus o ambiente. Os produtores da região francesa, assim como de outras afectadas por estas inclemências da meteorologia, temem que as destrutivas geadas se tornem a norma.

“Desde 2016, já tivemos três grandes geadas”, disse o produtor Thomas Ventoura, 34 anos, à Reuters. “Começamos a interrogar-nos sobre o futuro do nosso negócio nesta altura do ano.”

Tal como na mesma altura do ano passado, Ventoura e os seus trabalhadores tiveram de passar a noite de domingo para segunda a colocar centenas de velas pelas suas vinhas para aquecê-las com o seu fumo e tentar evitar a destruição dos gomos novos por temperaturas que chegaram seis ou sete graus abaixo de zero em alguns locais. 

Na área de Chablis, que concretamente está no ponto mais a norte da região vinícola de Borgonha-Franco-Condado. Ao clima ameno do início do ano, tem-se seguido a geada primaveril extrema, que antes era invulgar, mas que parece estar a tornar-se uma tendência recorrente. 

Além dos gastos de dezenas de milhares de euros no aquecimento das vinhas, a mudança no padrão climático está também a aumentar o custo do seguro por perda de colheita, acrescentou Thomas. No departamento de Yonne, dois terços da colheita foram destruídos em resultado da geada do ano passado, de acordo com o Ministério da Agricultura francês. “Há muito a fazer para mudar as práticas vitivinícolas no contexto das alterações climáticas”, disse Mathilde Civet, 25 anos, conselheira de viticultura da Câmara da Agricultura de Yonne, organismo representativo do sector agrícola local.

Os viticultores estavam a começar a unir forças para investir em novas soluções, tais como cabos de aquecimento, para ajudar a mitigar os efeitos de tais geadas, disse Civet à Reuters. No entanto, há ainda muita gente no sector que está relutante em enfrentar o facto de que o impacte das alterações climáticas possa ser duradouro, referiu.

“Os recentes episódios de seca e geadas foram um alerta para alguns, mas em anos anteriores houve uma espécie de negação”, rematou a responsável.

A acender velas anti-geada nas vinhas de Chablis