Amélia Muge: da reclusão da pandemia nasceu o milagre da multiplicação das vozes

Trinta anos após a estreia discográfica com Múgica, Amélia Muge brinda-nos com um disco onde a voz se multiplica em variações tonais, tímbricas e pulsões rítmicas. Com arranjos de António José Martins, eis Amélias, uma surpreendente obra-prima.

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ILUSTRAÇÃO DE AMÉLIA MUGE SOBRE FOTO DE GONÇALO VILLAVERDE

Um primeiro aviso: este é um disco para ouvir à “moda antiga”, frente à aparelhagem, à espera do que virá das colunas. Até que as vozes tomam conta do “cenário”, ocupando o palco sonoro em polifonias, apontamentos, contracantos, com a riqueza de um coral. Com uma diferença, e é esta que seduz e espanta: as vozes, sobrepostas em camadas, vêm de uma só garganta, explorando variações tonais, tímbricas e pulsões rítmicas de uma forma que nos faz crer ser impossível que uma mesma pessoa assim cante. Mas é isso que torna Amélias, o mais recente trabalho da cantora e compositora Amélia Muge, que hoje chega às plataformas digitais e às lojas, em CD, um objecto precioso e único.

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