Um milhão de crianças fugiu da Ucrânia. Na despedida, uma estação de comboios é assim

O avanço das tropas russas sobre a cidade de Odessa parece uma inevitabilidade. Enquanto os combates não chegam à mítica cidade costeira do Sul da Ucrânia, é tempo de mulheres e crianças partirem.

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A child is carried on board as Ukrainian women and children, along with some men who came to say goodbye before going back to fight, rush for a train to Lviv from the station in Odessa. MUST CREDIT: Washington Post photo by Salwan Georges. Salwan Georges

A invasão russa da Ucrânia provocou a saída de mais de dois milhões de pessoas do país, segundo dados recolhidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. É um êxodo histórico, alerta a ONU: o número de refugiados que saiu da Ucrânia em menos de duas semanas é igual ao fluxo de refugiados, principalmente sírios, para a Europa em 2015 e 2016.

Entre os que fugiram da Ucrânia estão um milhão de crianças, de acordo com James Elder, porta-voz do Unicef.

Estas fotografias foram captadas na última semana na cidade costeira ucraniana de Odessa, onde mulheres e crianças se despediram daqueles que ficaram para trás, incluindo os homens que estão proibidos de sair do país e aqueles que lutam contra a invasão.

Cerca de um quarto dos dois milhões de refugiados que abandonaram a Ucrânia desde o início da invasão russa, a 24 de Fevereiro, partiram em apenas dois dias da última semana.

O êxodo pode chegar a quatro milhões de pessoas até ao fim da guerra, de acordo com uma estimativa das Nações Unidas, ou seja, cerca de 10% da população da Ucrânia.

Por outro lado, estima-se que existam milhões de pessoas deslocadas dentro da Ucrânia, embora este número seja difícil de determinar. A Rússia tem bombardeado prédios, bairros e equipamentos civis, incluindo maternidades e hospitais pediátricos, nos seus ataques, um alvo que segundo Ministério da Defesa do Reino Unido terá como objectivo quebrar o moral ucraniano.

Nesta estação de comboios em Odessa — no extremo Sul da Ucrânia, junto ao mar Negro — mulheres e crianças apressam-se para embarcar nas composições com destino a Lviv, no Oeste do país, perto da fronteira com a Polónia.

“Nunca enfrentámos uma crise de refugiados com esta velocidade e com esta escala”, sublinhou James Elder. Trata-se da crise de refugiados mais rápida desde a II Guerra Mundial.

A maior parte destes deslocados fica nos países vizinhos da Ucrânia: Hungria, Polónia, Roménia e Moldova. Contudo, a maioria fugiu para a Polónia, que conta já com 1,3 milhões de refugiados, segundo dados da Guarda Fronteiriça deste país da União Europeia.

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