Director nacional da PSP contra cativação de 26 milhões de euros dos Serviços Sociais

Magina da Silva defende que não pode haver “limites de acesso” às verbas se o objectivo é apostar no apoio social aos polícias. O director nacional quer avançar com a construção de um campus policial em Lisboa.

Foto
Nuno Ferreira Santos

O director nacional da PSP, Magina da Silva, insurgiu-se esta quarta-feira contra a cativação de 26 milhões de euros dos Serviços Sociais da Polícia, pedindo acesso a esses fundos para colocar em marcha projectos de apoio social para os polícias.

Em causa estão os “saldos transitados” dos Serviços Sociais que, segundo Magina da Silva, já vão em 26 milhões de euros. “É dinheiro de todos nós, mas que foi de certa forma cativado e que os Serviços Sociais não podem usar dentro da sua autonomia financeira que têm. Ou seja, temos dinheiro que é nosso, que tem que ser exclusivamente usado no apoio social aos polícias, mas pasme-se, não lhe podemos tocar sem autorização”, referiu o responsável.

Magina da Silva falava em Aveiro, durante as comemorações do 135.º Aniversário do Comando Distrital da PSP, a primeira cerimónia deste género a ter lugar após o início da pandemia por covid-19.

No seu discurso, o director nacional da PSP defendeu uma aposta no apoio social aos polícias, nomeadamente nos jovens polícias que estão a iniciar a sua carreira. Nesse sentido, a Polícia de Segurança Pública vai avançar com a construção de um campus policial em Lisboa com capacidade para pelo menos 1000 camas, uma obra que está inscrita no Plano de Recuperação e Resiliência.

Outro dos objectivos passa pela construção de uma creche para os polícias que trabalham por turnos e várias instalações de bem-estar social para os polícias que irão viver no campus policial.

Mas Magina da Silva diz que para isso é preciso dinheiro, e defende que “não poderá haver limite de acesso” às verbas dos Serviços Sociais da PSP que estão cativas.

Na mesma sessão a comandante da PSP de Aveiro, Virgínia Cruz, alertou para a falta de recursos humanos no Comando Distrital, um problema que se tem vindo a sentir particularmente na carreira de Chefe e em algumas categorias de Oficial.

“Temos subunidades sem adjuntos, subunidades sem qualquer supervisor operacional, serviços sem qualquer chefe na sua estrutura orgânica e, quanto aos comissários, alguns chefiam em acumulação três núcleos, chegando a acumular cinco ou seis em períodos de ausências. Os dois subcomissários de que o Comando dispõe acumulam o comando de duas esquadras e também de núcleos da Área de Apoio, em Aveiro”, referiu a mesma responsável.

Por último a comandante Virgínia Cruz, apelou ainda à ajuda do director nacional da PSP para ver concretizados, a curto prazo, os projectos de construção da nova Esquadra de Ovar e a remodelação da Esquadra de São João da Madeira.