Confeitaria Serrana é a primeira baixa histórica de um projecto cultural ainda desconhecido

A Lionesa quer mudar a face da icónica rua portuense mas, para isso, o grupo liderado por Avelino Pedro Pinto está a negociar a saída de três negócios com décadas.

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A Confeitaria Serrana conta os dias para entregar a chaves ao novo senhorio, que está a negociar com mais dois comerciantes Manuel Roberto

Já se contam os dias até a proprietária da confeitaria Serrana entregar ao novo senhorio as chaves da porta do edifício que ocupa há mais de 40 anos. Mas não é a única que vai ter de o fazer. Há mais dois comerciantes estabelecidos há décadas na rua do Loureiro que terão de fazer o mesmo. Pelo menos, é o que deseja o Grupo Lionesa, encabeçado por Avelino Pedro Pinto, que para levar a cabo um projecto cultural naquela rua icónica portuense, do qual ainda se desconhecem pormenores, está a negociar com os inquilinos a sua saída. Os que já estão prestes a sair acabaram por desistir ao fim de alguns anos a lutar pela permanência. Mas há um que ainda resiste.

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Já se contam os dias até a proprietária da confeitaria Serrana entregar ao novo senhorio as chaves da porta do edifício que ocupa há mais de 40 anos. Mas não é a única que vai ter de o fazer. Há mais dois comerciantes estabelecidos há décadas na rua do Loureiro que terão de fazer o mesmo. Pelo menos, é o que deseja o Grupo Lionesa, encabeçado por Avelino Pedro Pinto, que para levar a cabo um projecto cultural naquela rua icónica portuense, do qual ainda se desconhecem pormenores, está a negociar com os inquilinos a sua saída. Os que já estão prestes a sair acabaram por desistir ao fim de alguns anos a lutar pela permanência. Mas há um que ainda resiste.

Será já no final do mês que a Serrana, tal e qual como os clientes e visitantes a conhecem, encerrará definitivamente. Ao PÚBLICO, Mónica Oliveira, proprietária da confeitaria que os seus pais passaram a gerir desde 1976, diz estar a passar os últimos dias naquela que considera ser “uma segunda casa” – quando o pai e mãe tomaram conta do negócio ainda era uma criança.

Em 2017, quando o Grupo Lionesa adquiriu cinco prédios na rua anteriormente conhecida pelas suas casas de pasto e lojas ligadas à área da electrónica – já há alguns anos que não é assim -, desconhecendo o futuro, arregaçou as mangas para resistir a um possível despejo. Conseguiu protecção ao abrigo do programa camarário de protecção das lojas históricas da cidade, o Porto de Tradição, e lutou até Maio do ano passado para garantir a permanência. Só que a pandemia causou danos irreparáveis ao negócio e acabou por desistir. “Passamos muito tempo sem clientes e sem facturar”, explica. Nessa altura, não teve outra alternativa senão entrar em acordo com o novo senhorio.

O PÚBLICO apurou que o acordo com outro dos espaços comerciais mais antigos da rua, a Casa Arcozelo, estará prestes a ser fechado. Faltará apenas conseguir a assinatura dos responsáveis pela Pensão Douro, que continuará a resistir. Após contacto, o proprietário da Casa Arcozelo preferiu não prestar declarações. Com a pensão não foi possível chegar à conversa.

No ano passado, Avelino Pedro Pinto anunciou ter para aqueles prédios que adquiriu um projecto turístico e cultural designado por “Bairro Dada”, mas não discorreu sobre os pormenores do mesmo, que continuam a não se conhecer, já que não foi possível ter resposta por parte do grupo empresarial que lidera. Porém, o PÚBLICO sabe que à câmara chegou um pedido de licenciamento de um projecto cultural associado para a linha de prédios adquirida, que se mantém em apreciação, mas que não entra em especificidades.

Nos últimos anos, o grupo liderado por Avelino Pedro Pinto, entre outros negócios, tornou-se sócio maioritário da Livraria Lello, comprou o Teatro Sá da Bandeira, adquiriu a quinta do Mosteiro de Leça do Balio e anunciou o investimento de 100 milhões de euros com recurso a capitais próprios para a duplicação do Centro Empresarial Lionesa. Em curso está a requalificação dos prédios comprados na rua do Loureiro. Mas para isso precisa de os desocupar.

O primeiro a ficar livre é o edifício da Confeitaria Serrana, onde entre 1911 e 1914 funcionou a Ourivesaria Cunha até se mudar para a Rua 31 de Janeiro e cujo primeiro registo conhecido data de 1869. Ainda não se conhece o futuro do prédio que guarda no seu interior pinturas do pintor e escultor do século XIX Acácio Lino e dois anjos esculpidos na mesma altura por José de Oliveira Ferreira, que muitos visitantes atraem ao espaço.

Mónica Oliveira também ainda desconhece qual será o seu próximo passo. Porém, equaciona continuar a vender as famosas bolas de Berlim – receita da família – da Serrana, só não sabe ainda onde. A única certeza que tem é que não o vai poder fazer com o mesmo nome da confeitaria da qual era proprietária porque o grupo ficou com os direitos de uso.