Um momento de publicação independente: Entre o céu e as serras: Sensibilidade e formas de resistência

Fanzines, edições de autor, livros de artista — nesta rubrica queremos falar de publicação independente. No Dia Mundial da Doença de Alzheimer, Matilde Reis apresenta Entre o céu e as serras: Sensibilidade e formas de resistência.

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Apresenta-nos a tua publicação.
Entre o céu e as serras: Sensibilidade e formas de resistência é um livreto que assinala a celebração do 100.º aniversário de uma pessoa idosa, que sofre da doença de Alzheimer, mas que reconhece o afecto manifestado pelos seus familiares mais próximos, envolvidos no desenvolvimento desta publicação, e que tanto a estimam. 

Quem são os autores?
O desenvolvimento desta publicação resultou de um trabalho colaborativo entre os membros do seu círculo familiar mais próximo. A neta Matilde paginou, o neto Tomás ilustrou, a filha Teresa recolheu fotografias e todos, incluindo o genro Alberto, escreveram um texto relativo a memórias e situações vividas na presença da aniversariante.

Do que quiseram falar?
Esta publicação versa sobre o privilégio que é poder cuidar de uma pessoa que tanto inspirou e contribuiu activamente para a formação cívica e moral de todos os que tiveram oportunidade de aprender com ela. Desde antigos alunos (foi professora primária até reformar-se), a familiares, amigos e conhecidos, todos se referem a Maria José Saraiva como sendo uma figura central, tendo tido um contributo inestimável para o desenvolvimento pessoal de cada um. 

O livreto apresenta uma selecção de ditos populares e expressões peculiares que eram recorrentemente verbalizados pela aniversariante até há relativamente pouco tempo, bem como um conjunto de quatro textos escritos pela filha, genro e netos, em tom de homenagem e retribuição de todo o conhecimento transmitido aos próximos e menos próximos, no decurso do seu notável século de vida. 

Questões técnicas: quais os materiais usados, quantas páginas tem, qual a tiragem e que cores foram utilizadas?
Dado o número limitado de exemplares impressos, optou-se por recorrer a uma impressão digital a quatro cores, facilitada pelo exímio Sr. Joel, da Gráfica 99, em Lisboa. A paginação desenvolvida permite uma leitura fluida entre a apresentação de uma fonte serifada, utilizada em manchas de texto mais extensas, e a utilização de uma tipografia estilizada, alusiva a um desenho caligráfico que foi aplicada nos títulos de capítulo e nas frases em destaque. No sentido de conferir um carácter singular e familiar a esta publicação, os exemplares desta edição limitada foram encadernados de forma manual: as 40 páginas de cada livreto foram cosidas pelas mãos da neta Matilde e da sua amiga Rita, ambas eternas entusiastas de publicações independentes e de design editorial. 

Onde está à venda e qual o preço?
Este livreto não se encontra disponível para venda. Dado o carácter limitado desta publicação, foram impressos 15 exemplares, destinados à família e a pessoas próximas.

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Porquê fazer e lançar publicações hoje em dia?
Publicar hoje também significa estabilizar os conteúdos que, sem dimensão física, permaneceriam dispersos por entre as caixas de email e o scroll infinito das conversas de WhatsApp. Publicar hoje significa também converter matéria sensível em informação visível na nossa mesa-de-cabeceira, por forma a que a possamos consultar todas as noites e adormecer com um sorriso esboçado no rosto. Em suma, publicar é preservar para consultar e saborear.

Recomenda-nos uma edição de autor recente lançada em Portugal.
Uma publicação de 2020, Building, de João Leonardo, com fotografias e contracapa de Ana Jotta. O projecto gráfico é de Joana Sobral. A tiragem é de dez exemplares.

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