Com o processo a chegar ao fim, vítimas de Jeffrey Epstein poderão receber cerca de 125 milhões de dólares

Em comunicado, o Fundo de Compensação das Vítimas do magnata esclareceu que 92% das requerentes aceitou as propostas de indeminização e já receberam mais de 121 milhões de dólares (mais de 102 milhões de euros).

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Jeffrey Epstein foi encontrado enforcado em Agosto de 2019, aos 66 anos de idade, na prisão de Manhattan SHANNON STAPLETON/Reuters

A líder do fundo de compensação das vítimas dos abusos sexuais levados a cabo pelo magnata norte-americano Jeffrey Epstein, Jordana Feldman, disse, nesta segunda-feira, que está prestes a concluir os processos de indemnização e atribuiu cerca de 125 milhões de dólares (cerca de 106 milhões de euros) às 150 requerentes elegíveis. 

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A líder do fundo de compensação das vítimas dos abusos sexuais levados a cabo pelo magnata norte-americano Jeffrey Epstein, Jordana Feldman, disse, nesta segunda-feira, que está prestes a concluir os processos de indemnização e atribuiu cerca de 125 milhões de dólares (cerca de 106 milhões de euros) às 150 requerentes elegíveis. 

Foram recebidos mais de 225 pedidos de indemnização, o dobro do que era esperado. Cerca de 75 queixas foram rejeitadas, ainda que estas vítimas possam, contudo, reivindicar o património de Jeffrey Epstein. Em comunicado, o Fundo de Compensação das Vítimas de Epstein esclareceu que 92% das requerentes aceitou as propostas e já receberam mais de 121 milhões de dólares (mais 102 milhões de euros).

Jordana Feldman, a administradora do fundo, conta, em comunicado, que “cada vítima teve oportunidade de ser ouvida num espaço seguro, para partilhar a sua história íntima e pessoal, muitas vezes relatos angustiantes de o que passaram e como isso as afectou”. Curiosamente, as indemnizações foram anunciadas um dia antes do segundo aniversário da morte de Jeffrey Epstein, que foi encontrado morto em Agosto de 2019, aos 66 anos, na prisão de Manhattan.

Alguns dos pagamentos às vítimas foram atrasados pela litigação entre os executores do património de Epstein, Darren K. Indyke e Richard D. Kahn, responsáveis por gerir 634 milhões de dólares (cerca de 539,60 milhões de euros), e a procuradora Denise George das Ilhas Virgens, dos EUA, onde o magnata era dono de duas ilhas. A responsável acusava os executores de desvalorizarem o património e também de serem os “capitães indispensáveis” da rede de tráfico sexual de menores de que era acusado o milionário.

Tais acusações têm sido constantemente negadas por parte dos executores. Nem Denise George, nem dos advogados de Darren K. Indyke e Richard D. Kahn se mostraram disponíveis para prestar declarações sobre o tema à Reuters.

O fundo de compensação foi aberto em Junho de 2020, no seguimento das negociações entre os advogados dos executores, as vítimas de Epstein e a procuradora. A administradora do fundo, Jordana Feldman, foi também responsável pela indemnização das vítimas dos ataques de 11 de Setembro de 2001.

Quando morreu, em 2019, Epstein aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual e abuso de mulheres e raparigas, em Manhattan e na Florida, entre 2002 e 2005. Até ao fim, declarou-se sempre inocente. Também a socialite britânica Ghislaine Maxwell, que foi detida em Julho de 2020, se diz inocente nos seis crimes que é acusada, entre os quais aliciamento de menores para que se envolvam sexualmente e perjúrio. Está previsto que o julgamento da ex-namorada do milionário comece em Novembro, em Manhattan.