Diamang: o colonialismo português cabe neste retrato

Em Braga, faz-se agora a primeira apresentação pública de parte do arquivo da Companhia de Diamantes de Angola, combinando a fotografia feita na Lunda nas últimas décadas do Império Português com a arte contemporânea que reflecte sobre a experiência colonial. Trabalhos forçados, segregação racial, feridas abertas na paisagem e na memória numa exposição que não foi feita para doutrinar, mas para emocionar.

Foto
Agostiniano Oliveira/Cortesia da Universidade do Minho

Um homem olha directamente para a câmara fotográfica tendo nas mãos três pimentos e um enorme repolho que terá acabado de colher da terra. Ao lado deste retrato que parece inusitado, dado o contexto em que foi feito, há muitas outras imagens que, à partida, julgaríamos difíceis de encontrar nos relatórios oficiais de uma empresa de extracção de diamantes. São imagens que dão conta da criação de ovelhas, porcos e perus, que mostram mulheres a moer cereais e crianças na escola, a pintar, que documentam o funcionamento de clubes de pessoal e de unidades de saúde, entre elas uma maternidade. Noutras há abacaxis siameses e orquídeas elegantes, como se o fotógrafo quisesse, apenas, registar uma raridade do mundo natural ou dedicar-se a um exercício meramente estético.

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