Coronavírus

“Diabos” dançam pelo fim da pandemia numa Venezuela em crise

No país onde se mantém a escassez de comida e medicamentos, os números oficiais da covid-19 não reflectem a realidade. No dia de Corpo de Deus, homens, mulheres e crianças na pele de "demónios dançantes" pedem tréguas à providência. "Já morreu demasiada gente", lamenta um dos "diabos" na cidade de Naiguata.

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Debaixo de cada máscara de demónio, está um homem, uma mulher, uma criança que perdeu um conhecido, amigo ou familiar durante a pandemia. "Rezamos para que a pandemia acabe porque já morreu demasiada gente", diz Ervis Rodriguez, através de uma máscara de animal, à Reuters, durante a celebração do Corpo de Deus, na cidade de Naiguata, a 52 quilómetros de Caracas, a capital da Venezuela. O ritual dos "diabos dançantes" tem lugar nas vilas e cidades plantadas ao longo da costa venezuelana desde o século XVIII e funde tradições indígenas, africanas e espanholas (as últimas, naturalmente, de influência católica romana). A exótica tradição foi declarada Património Cultural Imaterial da Humanidade​ pela UNESCO, em 2012.

Ervis veste a pele de demónio há mais de 20 anos, Henry Gonzalez há mais de 50 –​ desde os sete anos. "Fazemos isto para que a tradição nunca morra", diz à Reuters. No dia 3 de Junho, pelas seis da matina, já um grupo tocava os tambores enquanto os bailarinos assumiam formas de animais. Cavalos, gatos, cães coloridos com badalos à cinta passariam o resto do dia em celebração. "Temos de rogar ao Sagrado Sacramento pela extinção da pandemia no mundo porque a experiência está a ser má", continua. 

O governo deu luz verde à celebração, mas impondo o uso de máscaras por debaixo dos trajes tradicionais, o respeito pelas regras de distanciamento social e a permanência no exterior, garante Efren Yriarte, presidente da associação dos diabos dançantes de Naiguata. A situação na Venezuela é preocupante. Além da profunda crise económica que afecta ainda o país, os dados oficiais revelam que a pandemia já fez 2689 vítimas mortais e que 238 mil pessoas já estiveram infectadas. Especialistas em saúde acreditam, porém, que os números não reflectem a realidade e que a situação será ainda mais dramática.

Leonardo Fernandez Viloria | Reuters
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