Chade acusa República Centro-Africana da morte de seis soldados em ataque a posto de controlo

Ministro dos Negócios Estrangeiros chadiano acusa Bangui de “crime de guerra de extrema gravidade”. Portugal tem um destacamento militar na RCA.

Foto
Mahamat Deby assumiu a presidência provisória do Chade desde a morte do pai, Idriss Déby Reuters

O Governo do Chade denunciou esta segunda-feira a morte de seis dos seus soldados num ataque do exército da República Centro-Africana (RCA) a um posto de controlo localizado perto da fronteira entre os dois países.

“Os agressores, fortemente armados, mataram um soldado chadiano e feriram cinco. Outros cinco foram sequestrados para depois serem executados em Mbang, no lado centro-africano da fronteira”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade, Cherif Mahamat Zene. Do lado de Bangui, não houve até ao momento qualquer comentário sobre o incidente.

O chefe da diplomacia chadiana adiantou que o departamento de polícia da RCA contactou a Embaixada do Chade em Bangui para que as autoridades “recuperem em Mbang os restos mortais dos cinco soldados chadianos tomados como prisioneiros e executados”, segundo informou o portal de notícias chadiano Alwihda.

Zene sublinhou que se trata de “um crime de guerra de extrema gravidade, um acto “premeditado, planeado e executado em território do Chade. “Só o Governo da RCA conhece os motivos, mas não ficará impune”, acrescentou.

O ataque do exército da RCA deu-se num posto de controlo fronteiriço em Sourou, junto à cidade de Mberé. Fontes de segurança citadas pelo portal centro-africano Corbeau News confirmaram um confronto na área e culparam os militares chadianos e os mercenários russos que apoiam o Exército da RCA na sua ofensiva contra os rebeldes da Coligação de Patriotas pela Mudança (CPC).

As mesmas fontes indicaram que os mercenários efectuaram uma incursão em território chadiano e, depois do combate, tentaram fugir para território camaronês, embora tenham sido repelidos. As autoridades de Yaoundé não se pronunciaram sobre o incidente.

Portugal tem actualmente na República Centro-Africana um destacamento militar, dividido entre a Missão de Estabilização Integrada Multidimensional da ONU  (MINUSCA) e a missão de treino da União Europeia (EUTM), esta última liderada pelas forças portuguesas até Setembro de 2021.