Dacia Spring: O carro que nos deixa sonhar com um eléctrico

A electrificação do automóvel é inevitável, mas a democratização da tecnologia das baterias só vai acelerar com preços mais competitivos. A chegada do Dacia Spring promete ser um empurrão à mudança do paradigma, com autonomia para mais de 200 quilómetros e preços que, na prática, arrancam nos 13.600€.

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Com um preço a partir de 16.800 euros, o Dacia Spring é, desde inícios de Abril, o eléctrico à venda em Portugal mais barato. E, se se tiver em conta o incentivo para compra de veículos eléctricos, o valor de aquisição pode ficar por 13.600€ para singulares. Já as empresas, que passaram a poder usufruir de incentivo à compra apenas com comerciais, terão de aguardar pela versão Cargo de dois lugares, esperada para 2022 e pensada para o transporte de mercadorias na cidade.

Contas feitas, o investimento da marca romena da Aliança Renault–Nissan–Mitsubishi promete democratizar o acesso à mobilidade movida a energia eléctrica com uma viatura que, com 3,73 metros de comprimento e 1,58 metros de largura, foi idealizada para a cidade, ainda que aparente estar preparada para tudo.

Aliás, não é apenas na fotografia que aparenta ser maior do que é. Ao vivo a sensação mantém-se, talvez por causa da “pinta” de SUV: linhas de ar robusto, 15cm de distância ao solo, pronunciadas cavas de rodas e barras no tejadilho. Com um extra: mesmo com o olho na poupança, a marca não deixou de dotar o pequeno Spring de um capot vincado, que lhe confere personalidade.

Sentados ao volante, vemo-nos perante um habitáculo que, sem quaisquer mimos extra, parece ter tudo o que é essencial, indo assim ao encontro da filosofia da Dacia, que tentou redefinir o que era mais importante, “procurando corresponder ao que os clientes pedem”, como explicou, em conferência de imprensa, o director-geral da marca em Portugal, José Pedro Neves. Isto, claro, numa perspectiva apurada de estabelecer a melhor relação qualidade-preço possível. Por isso, não se estranhem os plásticos duros.

Aliás, estes serão uma pedrinha a cair num enorme charco, já que mais estranho é estarmos num automóvel deste valor que, além de trazer as barras de tejadilho e as luzes diurnas em LED de série, inclui ar condicionado, rádio com ligações Bluetooth e USB, computador de bordo, vidros eléctricos (à frente e atrás), espelhos retrovisores com regulação eléctrica, banco do condutor regulável em altura, limitador de velocidade ou sensores de luz. No nível de equipamento seguinte, o Comfort Plus, por mais 1500€, encontram-se equipamentos como a câmara de marcha-atrás, os estofos em pele sintética, assistente ao estacionamento traseiro e sistema multimédia assente num ecrã de 7 polegadas.

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Arrancamos em ambiente urbano, e será sempre onde este carro se sentirá como peixe na água, como concluímos durante um percurso de teste, que viria a incluir vários quilómetros em estrada e alguns em auto-estrada.

Assente num motor eléctrico com uma potência de 33 kW (44cv), é fácil torcer o nariz – sobretudo quando vivemos um tempo em que são cada vez mais raros os automóveis com menos de uma centena de cavalos. No entanto, e muito graças a um binário de 125 Nm, disponível a partir das zero rotações, como em qualquer eléctrico, não se sente a falta de potência nem pela malha urbana nos parece haver razões de queixa quanto ao desembaraço. Curiosamente, também em estrada, quando solicitado para uma rápida ultrapassagem, o Spring não se arrastou – afinal, acelera de 0 a 50 km/h em escassos 5,8 segundos. Já em auto-estrada, a velocidade máxima de 125 km/h é o que é, sendo preciso apertar com o acelerador para lá chegar – ou seja, chegaremos certamente ao destino, mas melhor sair com tempo ou sem hora marcada.

Quanto a autonomias, não sendo o eléctrico que chega para revolucionar, promete não deixar ninguém alarmado: conta com uma bateria de iões de lítio com uma capacidade útil de 27,4 kWh e, graças a um baixo consumo anunciado (9 kWh em cidade e 11,9 kWh em circuito misto), reclama uma autonomia entre os 230 e os 305 quilómetros. Fazendo fé nas cifras apresentadas pela Dacia, isto quer dizer que alguém que se movimente pela cidade e cumpra a média de quilómetros europeia terá de efectuar apenas um carregamento por semana.

Quando houver essa necessidade, a bateria do Spring pode ser recarregada numa tomada doméstica em 13,5 horas, numa tomada reforçada em 8,5 horas, numa wallbox em 5 horas ou num posto de corrente contínua, onde em menos de uma hora se obtém até 80% da carga.

Há ainda forma de fazer uma gestão mais apurada da autonomia da bateria, seleccionando o Modo Eco, que permite extrair cerca de mais 10% de alcance. No entanto, não há bela sem senão e, se por um lado permite andar mais quilómetros, por outro, não deixa andar tão depressa, limitando a potência a 30cv e a velocidade a 100 km/h. Mesmo assim, é de experimentar, porque no pára/arranca da cidade nem se dá por nada…

Sendo um citadino por excelência, apresenta um excelente raio de viragem (ainda que não chegue para destronar o Renault Twingo), de 38º, apresentando-se com espaço para sentar quatro adultos. Aliás, tirando partido da plataforma para carros eléctricos da Aliança, o Spring apresenta boa cota de habitabilidade e uma razoável mala com volumetria útil de 290 litros (mas que pode crescer até aos 620 litros com o rebatimento total do banco traseiro).

Na segurança, chega com travagem de emergência activa e seis airbags, além de estrutura da carroçaria reforçada na zona das baterias.

As pré-reservas para o Dacia Spring, que é fabricado na China, arrancaram a 7 de Abril, mas as primeiras unidades só deverão chegar em Setembro.

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