Pedro Marques propõe nova prestação social para tirar 5 milhões de crianças da pobreza severa da Europa

Vice-presidente do Grupo Socialista para a área social diz que a pobreza infantil tem de ser uma das prioridades da União Europeia.

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Pedro Marques Francisco Romao Pereira

O exemplo dos americanos que já aprovaram apoios às crianças em pobreza extrema para 2021 e o facto de os democratas estarem a lutar para tornar estes apoios permanentes podem ter inspirado o eurodeputado Pedro Marques, vice-presidente do Grupo S&D  para a área social, que esta quinta-feira defendeu uma nova “ambição” para a Europa em termos sociais e propôs uma nova prestação para combater a pobreza infantil.

Numa intervenção que fez esta quinta-feira no âmbito da Cimeira Social, promovida pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia dedicada ao avanço dos direitos sociais, que decorre no Porto, Pedro Marques propôs - em seu nome pessoal, e não da família politica a que pertence - uma nova prestação para travar a pobreza infantil no espaço europeu que contabiliza 92 milhões de pobres.

“Nós, como socialistas e democratas, temos de permitir que o sonho dos europeus aconteça. Temos de lhes apresentar a Europa que sonharam como uma Europa que pode ser, que pode acontecer”, começou por dizer, argumentando que, “depois desta pandemia, da crise do século, não há mais tempo para hesitações”.

Foi com este espírito de ambição que elencou um conjunto de condições que, na sua opinião, se devem verificar na Europa nesta década. “Devemos apresentar-lhes, por isso, uma Europa que tenha salários justos e salários mínimos decentes, e condições de trabalho decentes para todos, em particular para os trabalhadores da nova economia digital; uma Europa que não tenha mais pessoas a viver em pobreza energética, nem com condições de habitação inadequadas, com um papel imprescindível dos nossos autarcas e líderes locais e regionais; uma Europa que acabe com as desigualdades de género, desde logo as desigualdades salariais, que põe no passado todas as formas de discriminação”, proclamou Pedro Marques, deixando para o fim a pobreza infantil que soma 5 milhões de crianças em pobreza severa no espaço europeu.

“Mas, mais do que tudo, e se sonhássemos alto sobre o fim da pobreza infantil? Acabando com as formas mais graves de pobreza, pondo o nosso dinheiro onde está o nosso discurso”, apelou para dizer que “5 milhões de crianças em pobreza severa não podem esperar mais!”

Segundo o eurodeputado, “150 euros por mês [a cada família] serão decisivos para retirar 5 milhões de crianças da pobreza extrema em todos os países europeus”.

Pedro Marques pegou no exemplo dos  Estados Unidos que já aprovaram apoios às crianças em pobreza extrema para 2021 para perguntar: “Podemos parar de seguir apenas o Presidente Biden e, como Europa, retomar a liderança no combate às formas extremas de pobreza entre as nossas crianças?”

“Com a inspiração do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, com a acção que nos propôs o Nicolas Schmidt no seu Plano de Acção, eu digo, sim podemos! Tudo isto é possível, precisamos apenas da ambição de sonhar”, acrescentou o eurodeputado, declarando que a Europa precisa de um “novo coração social, a partir do muito que já foi construído no caminho para esta Cimeira do Porto”.

Antes da sua intervenção na Cimeira Social (Palestras Motivacionais), o eurodeputado falou com o PÚBLICO sobre a pobreza infantil, considerando-a a” prioridade das prioridades na redução da pobreza e isso está claramente no programa de acção da própria Comissão Europeia”.

Para o ex-ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, o passo seguinte é fazer o que os americanos “estão a fazer” neste âmbito e que é “colocar recursos em cima dessas prioridades, colocar financiamento nas políticas concretas”. E propõe: “Se a Europa não quer continuar a conviver com 5 milhões de crianças em pobreza extrema, então que faça a sua parte e ponha, de facto, uma transferência de 150 euros por mês para cada família com crianças nessa situação em articulação com os Estados-membros”. A sua convicção é que esta nova prestação social, que pode representar uma despesa de 10 mil milhões de euros por ano, “terá um efeito brutal”.