Compositora finlandesa Kaija Saariaho venceu Leão de Ouro de música em Veneza

Kaija Saariaho foi a compositora em residência na Casa da Música, no Porto, em 2010, e regressou em 2019, para fazer a estreia portuguesa da sua obra Ciel d’Hiver, integrada na programação “Música no Feminino”.

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Kaija Saariaho foi a compositora em residência na Casa da Música, no Porto, em 2010, tendo regressado em 2019 para estrear a sua obra "Ciel d'Hiver"

A compositora finlandesa Kaija Saariaho venceu o Leão de Ouro de carreira, na área da música, “pelo extraordinário nível técnico e expressivo que alcançou nas partituras para coros”, anunciou esta sexta-feira a Bienal de Veneza, em Itália.

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A compositora finlandesa Kaija Saariaho venceu o Leão de Ouro de carreira, na área da música, “pelo extraordinário nível técnico e expressivo que alcançou nas partituras para coros”, anunciou esta sexta-feira a Bienal de Veneza, em Itália.

Kaija Saariaho, nascida em Helsínquia em 1952, receberá este prémio de carreira a 17 de Setembro, no início da 65.ª edição do Festival Internacional de Música Contemporânea, subordinado ao tema “Coros”.

Segundo a Bienal de Veneza, Kaija Saariaho é reconhecida não só pelo trabalho artístico original para voz, mas em particular pela composição Oltra Mar, de 1999, “uma obra-prima absoluta” para coro e orquestra, “harmonicamente complexa, mas de composição clara”, e influenciada pelo impressionismo, refere a organização.

No âmbito deste prémio de reconhecimento artístico, Oltra Mar será interpretado no festival, em estreia italiana, pelo coro e orquestra do Teatro La Fenice, conduzidos pelo maestro Ernest Martinez-Izquierdo.

Kaija Saariaho foi a compositora em residência na Casa da Música, no Porto, em 2010, e regressou a esta instituição em 2019, para fazer a estreia portuguesa da sua obra Ciel d'Hiver, integrada na programação “Música no Feminino”.

Lichtbogen, cujo título foi inspirado pela aurora boreal que a compositora presenciou no céu da região árctica no momento em que se preparava para compor a obra,​ Graal théâtre (concerto para violino escrito para Gidon Kremer em 1995​), Laconisme de l'aile, L'aile du songe são algumas das suas peças presentes no repertório de diversas orquestras portuguesas, como a Gulbenkian, a Metropolitana de Lisboa, o Remix Ensemble e a Orquestra Sinfónica do Porto, além do Grupo Música Nova, fundado por Cândido Lima em 1975, que revelou a compositora ao público português.

Entre as obras de Saariaho destacam-se igualmente as óperas Emile e L'Amour de loin, ambas com libreto do escritor Amin Maalouf, e ambas apresentadas em Portugal, no âmbito da Temporada Gulbenkian de Música, numa encenação de Vasco Araújo e André e. Teodósio, em Lisboa, em 2013 e 2016, e na Casa da Música, no Porto (Emile).

Na temporada 2014-2015, Kaija Saariaho foi mentora do compositor português Vasco Mendonça, no programa internacional Mestres Discípulos.

A gravação de L'Amour de loin, estreada no Festival de Salzburgo, em 2000, pela Orquestra Sinfónica de Berlim, sob a direcção de Kent Nagano, foi distinguida com o Prémio Grammy, em 2011. E em 2013, a compositora recebeu, com o cantor senegalês Youssou Ndour, o prestigiado prémio Polar Music, também conhecido como o “Nobel da Música”.

A Bienal de Veneza atribuiu ainda o Leão de Prata ao Neue Vocalsolisten Stuttgart, um ensemble vocal alemão dedicado à música contemporânea.

Em anos anteriores, o Festival Internacional de Música Contemporânea atribuiu o Leão de Ouro a figuras como Luciano Berio (1995), Pierre Boulez (2012), Sofia Gubaidulina (2013), Steve Reich (2014), Tan Dun (2017) e Keith Jarrett (2018).

Em Julho, Kaija Saariaho estreará em França a ópera Innocence.