Entre a aerodinâmica e as ciências naturais: a música desafiante de Jaime Reis

Dois CDs monográficos, centrados nos ciclos Fluxus e Sangue Inverso — Inverso Sangue, revelam facetas complementares de um compositor fascinado pelo espaço aéreo e pelo espaço sonoro.

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Sofia Nunes

Dois novos discos em etiquetas de referência no campo do repertório contemporâneo (Kairos e Neos) dão a conhecer de perto o universo estético de Jaime Reis (n. 1983), compositor que desde muito jovem tem marcado presença em diversos círculos internacionais ligados à criação musical. Os dois álbuns mostram vertentes complementares, mas indissociáveis, da sua música: Fluxus (Kairos) inclui seis obras do ciclo com o mesmo nome compostas entre 2012 e 2019, que têm a electrónica como denominador comum; Solo and Chamber Works (Neos) apresenta apenas peças instrumentais, nomeadamente parte do ciclo Sangue Inverso — Inverso Sangue (2015-2019), para ensemble, Lysozyme Synthesis, para piano (2003) e Fluxus, Vortex — Schubkraft, para quarteto de guitarras (2018-2019). Esta última constitui a versão acústica da obra, com electrónica, do mesmo título incluída no CD da Kairos. Estabelece-se assim uma ponte entre os dois discos através de duas propostas que se alimentam entre si. Não só a inusitada exploração das sonoridades do quarteto de guitarras abre outros rumos à linguagem musical, como o resultado da versão acústica parece em muitos momentos ter sido gerado por uma fonte electroacústica.

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