Covid-19 em Portugal. Como a realidade tem esmagado as previsões

As estimativas que nas últimas semanas foram avançadas vão sendo superadas pela realidade. O PÚBLICO lembra algumas das previsões que alertaram para o pior e o ponto em que estamos.

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LUÍS FORRA/LUSA

A previsão: 12 de Janeiro

A dia 12 de Janeiro, uma terça-feira, o boletim da Direcção-Geral da Saúde (DGS) dá conta de 7259 novos casos em 24 horas e 155 mortos. Na reunião do Infarmed que junta especialistas, decisores políticos, candidatos à presidência e responsáveis dos mais diversos serviços, prevê-se que a 27 de Janeiro se atinja os 14 mil casos, mesmo com medidas de confinamento. “Temos pela frente as semanas mais difíceis da pandemia”, alerta o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, avisando a plateia de que mesmo com o confinamento geral e o encerramento das escolas dificilmente se evitará esse número (sem confinamento, diz, os casos podem ultrapassar os 30 mil a 27 de Janeiro). Também por volta de 27 de Janeiro, afirma, o número de mortos deverá rondar os 150 por dia. O especialista prevê que neste cenário será preciso esperar três semanas (ou seja, até por volta de 17 de Fevereiro) para se baixar para uma média de sete mil novos casos diários.

A realidade: 20 de Janeiro

O número de novas infecções em 24 horas é de 14.647. O valor de 14 mil casos é ultrapassado pela primeira vez, sete dias antes do previsto na reunião do Infarmed de dia 12. A covid-19 é responsável pela morte de 219 pessoas, em apenas 24 horas. Desde a reunião de dia 12, o número médio de casos diários tem sido superior a 10.250.


A previsão: 8 de Janeiro

A 8 de Janeiro, a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) prevê que na sexta-feira de 15 de Janeiro se atinjam os 4557 doentes internados nos hospitais, dos quais 615 em unidades de cuidados intensivos (UCI). Isto no cenário mais pessimista considerado nas estimativas semanais da associação que o PÚBLICO divulga todos os sábados. O boletim da DGS de 8 de Janeiro dá conta de 10.176 novos casos e 118 mortos.

A realidade: 15 de Janeiro

O boletim da DGS de 15 de Janeiro confirma que o pior cenário da APAH foi ligeiramente ultrapassado: há 4560 doentes internados, 622 dos quais em UCI. A previsão da APAH para o final desta semana, 22 de Janeiro, é de que o número de internados se aproxime dos 7500 e mais de 922 estejam em UCI. Nesta quarta-feira, dia 20, estamos nos 5493 internados, dos quais 681 em UCI.


A previsão: 8 de Janeiro

São esperadas entre 2500 e 2700 mortes por covid-19 no mês de Janeironoticia o Expresso no final da primeira semana do ano, citando Henrique Oliveira, matemático do Instituto Superior Técnico. 

A realidade: 20 de Janeiro

Nesta quarta-feira, 20 de Janeiro, com 219 óbitos reportados no boletim da DGS, o mês de Janeiro já soma 2559 mortos. Faltam 11 dias para o mês acabar.


A previsão: 18 de Janeiro

Manuel Carmo Gomes afirma ao PÚBLICO a 18 de Janeiro que as estimativas da sua equipa apontam agora para cerca de 200 mortes e 14 mil novos casos de infecção do domingo, 24 de Janeiro, pior do que as estimativas apresentadas na reunião do Infarmed, que indicavam que 14 mil seria o número diário de casos mais no fim do mês. O professor adianta ainda que os cálculos, ainda provisórios, para o período entre 9 e 11 de Fevereiro, apontam para que se chegue aos 6100 doentes internados nos hospitais, 840 dos quais em unidades de cuidados intensivos. Tal como tem feito várias vezes ao longo dos últimos dias, insiste que é preciso fechar as escolas para travar os contágios. 

A realidade: 20 de Janeiro

Como já se disse, o número de novas infecções em 24 horas é de 14.647, segundo o boletim da DGS desta quarta-feira, dia 20, e há 219 óbitos.


A previsão: 16 de Outubro

Quando a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo criou um grupo para coordenar o internamento de doentes com covid-19 nos hospitais na região, em 16 de Outubro, o último nível do seu plano de contingência previa uma lotação máxima de 917 camas em enfermaria e de 185 camas em UCIO boletim da DGS dava conta de um cenário muito diferente do que vivemos hoje: 2608 novos casos e 21 mortos em 24 horas.

A realidade: 18 de Janeiro

Neste dia, cerca de três meses depois das previsões da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, estão internados em enfermaria mais do dobro dos pacientes (1918) e a anterior lotação máxima dos cuidados intensivos também já foi mais do que ultrapassada nesta segunda-feira (eram 253 os doentes em estado grave em tratamento nestas unidades de elevada complexidade).

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