Cafezinho ao postigo vai acabar. Governo avalia novas medidas

Conselho de Ministros reúne-se nesta segunda-feira para fazer um balanço dos três primeiros dias de confinamento geral.

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Vendas ao postigo vão acabar LUSA/NUNO VEIGA

O primeiro-ministro, António Costa, convocou para esta segunda-feira um Conselho de Ministros extraordinário para fazer o ponto de situação do cumprimento das medidas que entraram em vigor há três dias. Ao que o PÚBLICO apurou, estão em cima da mesa algumas mudanças como a restrição de vendas ao postigo, desde logo bebidas — incluindo café.

A intenção do Governo é acabar com os ajuntamentos à porta de pastelarias, por exemplo, onde as pessoas se acumulam depois de pedirem uma meia de leite ou um pastel de nata ao postigo. Há outras alterações em mente, mas esta pretende corrigir os efeitos negativos de uma medida que, na prática, transferiu os clientes do interior dos estabelecimentos comerciais para o exterior. 

Depois de fazer o balanço dos primeiros três dias de confinamento geral, os ministros também irão avaliar a questão do encerramento dos ATL, admitindo que, sendo uma extensão da escola, possam reabrir e continuar a funcionar. Esta decisão ainda não está totalmente fechada.

Neste domingo, após uma visita ao Hospital de Santa Maria como candidato, Marcelo Rebelo de Sousa já havia admitido que pode ser necessário rever as medidas do confinamento com a maior brevidade. “Ou a sociedade percebe a gravidade da situação ou os políticos podem concluir que é necessário ir mais longe no fecho de actividades que ainda ficaram abertas, como sinal político à sociedade”, disse, já na qualidade de Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que, “se for preciso reponderar medidas, o Governo terá o apoio do Presidente da República para essa reponderação”. Os números da próxima semana serão determinantes para “ver se é ou não preciso dar sinais políticos ainda mais fortes para os portugueses perceberem a gravidade da situação”. 

Também Marta Temido, ministra da Saúde, apelou neste domingo aos portugueses para que fiquem em casa. “É preciso parar as cadeias de transmissão, sob pena de estas situações se transformarem na regra”, alertou, reconhecendo que “toda a gente está a fazer sacrifícios”.

“Temos de nos esforçar mais em termos de comunidade para garantir que se param as cadeias de transmissão, senão não há sistema de saúde que aguente (...). Fiquem em casa, cumpram e façam cumprir as pessoas à sua volta”, pediu.

Temido disse ainda que já existe uma “elevadíssima pressão”​ sobre todo o sistema de saúde português. “Estamos a pôr todos os meios a funcionar em todos os sectores, mas há um limite. E estamos muito próximos do limite”, avisou a ministra.