As presidenciais mais baratas de sempre. Orçamentos (ainda) não chegam a um milhão de euros

Tino de Rans é o candidato com orçamento mais baixo (16 mil euros) e João Ferreira está no extremo oposto (450 mil). O de Marisa Matias ainda não foi divulgado.

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Orçamentos serão divulgados na próxima semana Andreia Patriarca

As eleições de 24 de Janeiro de 2021 podem ficar na história como as presidenciais mais baratas desde que as contas das campanhas são auditadas. Seis candidaturas já revelaram as suas previsões de gastos e, todos somados, os orçamentos não chegam a um milhão de euros. Há cinco anos, os dez candidatos que se apresentaram a votos orçamentaram mais de 3,3 milhões de euros e gastaram efectivamente 3,2 milhões.

A Lusa questionou as várias candidaturas sobre os gastos previstos e, à excepção de duas que ainda não se conhecem, só Marisa Matias ainda não divulgou o orçamento da sua campanha. Entre os restantes candidatos, Vitorino Silva, ou Tino de Rans, é o mais poupado, prevendo apenas gastar 16 mil euros. O comunista João Ferreira é o que tem o orçamento mais elevado — 450 mil euros — ainda assim muito abaixo dos 750 mil de Edgar Silva em 2016 (o mais alto de então).

“O meu orçamento é de 16 mil euros, mas só 10 mil em dinheiro. Tudo o resto é em géneros porque vou usar o meu carrito, vou dormir em casa de amigos, nalgumas zonas do país, mas vai ser tudo apontado e contadinho, quilómetro a quilómetro, refeição a refeição”, disse Tino de Rans, citado pela agência Lusa. Há cinco anos, Vitorino Silva orçamentou 50 mil euros, mas acabou por gastar apenas 8160 euros.

Marcelo Rebelo de Sousa não pretende ultrapassar os 25 mil euros de despesa, conforme anunciou no dia em que entregou as 12.747 assinaturas para formalizar a sua candidatura no Tribunal Constitucional.

No ranking dos gastos, do mais poupado para o mais gastador, segue-se o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal Tiago Mayan Gonçalves (40 mil euros), a ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (50 mil euros), o deputado único e presidente do Chega, André Ventura (160 mil euros), e o eurodeputado e dirigente da cúpula do PCP, João Ferreira (450 mil euros). No total, os orçamentos já conhecidos ficam-se pelos 741 mil euros, bem menos do que os de 2016.

O Tribunal Constitucional informou no dia 24 ter recebido documentação de nove cidadãos que pretendem entrar na corrida a Belém, sete dos quais são conhecidos (Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes, André Ventura, Marisa Matias, João Ferreira, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva). As candidaturas têm até segunda-feira para entregar os respectivos orçamentos para a campanha oficial, que decorre entre os dias 10 e 22 de Janeiro. Cabe à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos auditar, depois das eleições, as receitas e despesas apresentadas por cada candidato.

Apesar de o sorteio da ordenação dos boletins de voto estar marcado para segunda-feira de manhã, o TC tem até 4 de Janeiro para verificar a admissibilidade das candidaturas, nomeadamente o número de assinaturas. Segue-se um período de recurso por parte das candidaturas consideradas inelegíveis ou com irregularidades e a decisão final é proferida até 11 de Janeiro. com Lusa