SNS já está a usar testes rápidos de antigénio disponibilizados pela Cruz Vermelha

No Norte, já se usou este tipo de testes em lares. Algarve, Alentejo e Coimbra também já receberam testes rápidos de antigénio.

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PAULO PIMENTA

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte já “recebeu 13.600 testes rápidos provenientes da Reserva Estratégica Nacional”, confirmou esta entidade numa resposta enviada ao PÚBLICO por escrito. E já fez 132 testes deste tipo, rápidos e de colheita por zaragatoa, tendo 55 sido positivos. Estes são os testes rápidos de antigénio que vieram do lote que a Cruz vermelha disponibilizou ao governo, confirmou fonte da ARS do Norte ao PÚBLICO. 

“Neste momento já efectuamos testes rápidos em ADR [Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios] e em lares. Fizemos na primeira semana, ainda em fase de teste, 132 testes, tendo 55 sido positivos (41,67%) e 77 negativos. Os testes negativos repetiram colheita por RT-PCR. Prevemos nesta semana aumentar de forma significativa os testes realizados”, responde por escrito o gabinete de imprensa, confirmando que “a ARS Norte recebeu 13.600 testes rápidos provenientes da Reserva Estratégica Nacional”.

O PÚBLICO questionou as diferentes administrações regionais de saúde sobre quantos testes rápidos de antigénio já tinham sido enviados para estas estruturas, sobre quantos já tinham sido feitos, em que situações e com que resultados. Para já, responderam as ARS do Norte, Centro, Alentejo, e Algarve. Mas só no caso da ARS do Norte foi possível confirmar que eram oriundos do lote disponibilizado pela Cruz Vermelha ao Governo.

A ARS do Alentejo “recebeu até à data 1600 testes rápidos de detecção de antigénio”, mas não detalhou quantos foram usados.

Quanto à ARS do Algarve esclareceu que “os testes rápidos de detecção de antigénio recebidos na Administração Regional de Saúde do Algarve foram distribuídos pelas ADR - Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios da região e pelas unidades hospitalares do Centro Hospitalar Universitário do Algarve” e que, “até ao momento, ainda não se verificou nenhuma situação em que fosse necessária a utilização destes testes nem em escolas nem em lares da região”.

A ARS do Centro também revelou apenas que distribuiu “4000 testes rápidos de detecção de antigénio pelos seus seis agrupamentos de centros de saúde”, incluindo duas unidades locais de saúde (Guarda e Castelo Branco). 

Ainda sobre a realização deste tipo de testes rápidos de antigénio, e numa resposta enviada ao PÚBLICO por escrito na segunda-feira, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) adiantou apenas, sem mais detalhes sobre locais ou entidades que os fizeram, que “até ao dia 15 de Novembro foram contabilizados no SINAVE [Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica] cerca de 565 casos confirmados por TRAg [Testes Rápidos de Antigénio]”.

norma da DGS que prevê as situações em que se pode usar este tipo de testes entrou em vigor a 9 de Novembro. Desde que a norma entrou em vigor, em conjunto com o decreto que regulamenta o estado de emergência, que dirigentes escolares e de lares têm afirmado não terem recebido qualquer orientação sobre o tema.

A DGS já fez saber que explicará tudo “a seu tempo”. Mas, pelo menos, no Norte, a ARS garante já ter usado este tipo de testes em lares, ainda que “em fase de teste”. Responsáveis de lares, ouvidos anteriormente pelo PÚBLICO, tinham relatado que algumas destas instituições já usaram este tipo de testes, embora pagando por eles, e que já estão a receber informações de marcas sobre diferentes tipos de testes rápidos, antigénio com zaragatoa e outro tipo de testes rápidos.

Uma das formas de os lares poderem fazer este tipo de testes rápidos antigénio é, por exemplo, através da Cruz Vermelha Portuguesa que dispõe deste tipo de testes e de equipas habilitadas para o fazer (e que também podem ser feitos a título particular, sem prescrição médica e pagando-se por eles, por exemplo no Posto Fixo de Lisboa).

No entanto, esta entidade também adquiriu, mediante financiamento internacional, 500 mil destes testes que pôs à disposição do Governo, e que o executivo aceitou. Em conferência de imprensa, no final de Outubro, a ministra da Saúde afirmou que a primeira tranche, cerca de 100 mil testes, chegaria na primeira semana de Novembro​. 

Mais tarde, a 5 de Novembro, a governante acrescentou, na audição conjunta da Comissão da Saúde e da Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República, que nos dias 5 e 6 os “testes de antigénio estarão já a ser distribuídos às nossas administrações regionais de saúde e na segunda-feira ou no início da semana que vem haverá condições para começar a sua utilização nos casos com indicação para tal”.

A 8 de Novembro, depois de um Conselho de Ministros extraordinário​, foi a vez de o primeiro-ministro António Costa afirmar que, "hoje, felizmente, já estão disponíveis não só testes de diagnóstico que levam bastantes horas a termos resposta, como começam a ser vulgarizados os testes antigénios que podem dar respostas em curto espaço de tempo”, assegurando que o país tem estado a adquirir doses deste tipo de despiste mais rápido.

Já procedemos à aquisição de 100 mil unidades, temos encomendas 400 mil e estamos a participar numa call [encomenda] conjunta da União Europeia para a aquisição destes de diagnóstico e têm vindo a ser disponibilizados crescentemente”, acrescentou.

Nesta segunda-feira, em declarações à RTP, o director do Departamento da Qualidade na Saúde da DGS​, Valter Fonseca, negou haver “desarticulação”, no que toca ao uso destes testes, com escolas e lares, por exemplo: “Existe uma operacionalização e implementação progressiva que, com as equipas de proximidade, junto das escolas, dos lares, tudo será explicado a seu tempo, à medida que os testes irão ser implementados e utilizados.”

O mesmo responsável acrescentou: “Há uma relação de proximidade entre as escolas e as equipas de saúde escolar e as autoridades de saúde locais que estão, progressivamente, em conversações para que seja claro a forma como estes testes vão ser utilizados sobretudo em situações de surto, mas penso que é importante referir que a sua utilização deve ser feita com critério, não deve ser feita em massa. A utilização nas escolas, mesmo nessas situações, deve ser feita sempre que existe uma suspeita de surto ou sempre que existam casos suspeitos de covid -19”.