Marcelo revela que PGR lhe contou da encenação de Tancos dois meses antes das primeiras detenções

Presidente da República soube das suspeitas sobre o envolvimento dos militares com os ladrões e também com Azeredo Lopes com antecedência, mas segredo de justiça impedia-o de falar.

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Marcelo Rebelo de Sousa e Azeredo Lopes em Tancos Miguel Manso

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu esta quinta-feira pela primeira vez que soube das suspeitas de que o reaparecimento do material bélico de Tancos teria sido encenado pelos militares, em conluio com os ladrões, com dois meses de avanço em relação aos portugueses.

A revelação foi-lhe feita a 25 de Julho de 2018 pela então procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal. As primeiras notícias que dão conta do possível embuste e também das detenções do líder do assalto e de parte dos militares envolvidos no achamento da Chamusca datam de 25 de Setembro desse ano.

O chefe de Estado soube igualmente antes de toda a gente do possível envolvimento do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, no plano da GNR e da Polícia Judiciária Militar destinado à recuperação das granadas, munições e outros explosivos. Foi em Setembro de 2018, provavelmente nos primeiros dias do mês.

Foi o próprio Marcelo Rebelo de Sousa a revelar esta quinta-feira a antecedência com que foi informado sobre as suspeitas da encenação. Nas respostas que forneceu por escrito às perguntas dos juízes do Tribunal de Santarém, onde os arguidos deste processo estão a ser julgados, e que fez questão de publicar no site da Presidência da República, refere que “apenas tomaria conhecimento de que poderia ter existido eventual encenação no aparecimento do material no dia 25 de Julho de 2018, através da Senhora Procuradora-Geral da República.”

Nunca falou com director da Judiciária Militar

Nesta altura ninguém senão os investigadores conhecia este cenário. E Marcelo, que nunca se coibira até ali de falar no assunto e sempre tinha exigido o apuramento do que realmente se tinha passado doesse a quem doesse, era obrigado a ficar calado, uma vez que o caso continuava – e continuaria, mesmo depois das primeiras de detenções, a 25 de Setembro – em segredo de justiça. Foi dando, no entanto, umas pistas sobre o caso que não escaparam aos mais atentos. A 10 de Setembro, dizia ter uma “forte esperança” de que a investigação criminal terminasse “dentro de dias ou semanas, e não de meses”.

Nas respostas ao tribunal, o chefe de Estado diz ainda que nunca falou com o director da Polícia Judiciária Militar sobre o assunto – apesar da sugestão que Azeredo Lopes lhe fez nesse sentido aquando da visita que fez aos paióis de Tancos a 4 de Julho de 2017, depois do furto. com Leonete Botelho