Covid-19: Centro de Retaguarda do Porto com dificuldade em manter profissionais de saúde

Secretário de Estado da Saúde visitou esta quarta-feira a estrutura que funciona na fronteira entre os concelhos de Gondomar e Valongo.

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Anna Costa
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Armação de cama
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No Centro Distrital de Retaguarda do Porto, que recebe doentes com covid-19 que não precisam de hospitalização mas não têm condições para estarem em casa, a maior dificuldade tem sido manter as equipas de profissionais de saúde. Até agora, já desistiram “pelo menos quatro ou cinco [auxiliares de acção médica] que não se adaptaram ao trabalho”, alertou esta quarta-feira Stephanie Leitão, responsável pelos auxiliares de acção médica antes do início da visita do secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales. A estrutura funciona no Seminário do Bom Pastor, um equipamento da Diocese do Porto, na fronteira entre os concelhos de Gondomar e Valongo.

Apesar de ser feita uma “integração do grupo”, a chefe dos auxiliares de acção médica admitiu que muitos profissionais não estão preparados para satisfazer as carências dos doentes, especialmente a nível emocional e psicológico: “ao vir para cá têm de ter consciência de que vão apanhar de tudo um pouco.” O primeiro centro de retaguarda do Norte, que pretende aliviar a pressão dos centros hospitalares, conta com 20 profissionais de saúde mobilizados para assistir os doentes em recuperação - o suficiente para tratar 25 utentes. Neste momento há sete internados nas instalações e a representante dos auxiliares realça a falta de preparação dos profissionais.

Stephanie Leitão está a prestar apoio no centro de retaguarda desde que abriu “há quase três semanas”. “Fui a primeira a chegar”. Neste momento, a preocupação é apoiar os doentes “a todos os níveis”, com especial atenção para o emocional pois só assim se “ajuda a manter a força para melhorar”. O estado emocional do profissional “nunca pode interferir com o do utente” e é preciso estar-se disponível para prestar uma atenção e apoio redobrados aos doentes fragilizados pela covid-19, cuja faixa etária é superior a 50 anos, sublinha.

Actualmente, estão sete doentes naquele centro. “Entrando mais doentes e o hospital enchendo aí sim vai ter mesmo que se aumentar muito a equipa, porque temos doentes com debilitações que precisam de banhos e uma equipa pequena consegue dar conta, mas não nos tempos em que tem que dar”, acrescenta a responsável.

Segundo Marco Martins, presidente da Comissão Distrital de Protecção Civil, e também presidente da Câmara Municipal de Gondomar, que também visitou o equipamento, há um total de “20 profissionais, 9 da saúde [do Aces - Agrupamento de Centros de Saúde] e 11 da segurança social” nas instalações para tratar o que tem sido “uma média de 10 utentes internados, com uma grande taxa de rotatividade”. O equipamento conta com seis enfermeiros e dois médicos.

Funciona há três semanas

Há cerca de três semanas que o Seminário do Bom Pastor recebe doentes dos principais centros hospitalares do Norte, como os hospitais de Santo António, São João, Gaia e Penafiel, para continuarem a sua recuperação. Para já, tem capacidade para 50 doentes em simultâneo, e poderá chegar aos 80 se necessário. O autarca garante que “há pessoal suficiente para 25 utentes”. Se o número de utentes aumentar será necessário recorrer a uma bolsa de funcionários.

O Seminário do Bom Pastor foi seleccionado pela Protecção Civil como o primeiro centro de retaguarda da região norte, com a finalidade de acolher doentes positivos que necessitam de maior vigilância, e que não têm para onde ir. Depois da recuperação, os utentes vão tendo alta gradualmente. O propósito é o de libertar alguma pressão sobre os grandes centros hospitalares do Norte e, segundo Marco Martins, “a ideia é multiplicar [estes espaços] pelo país”. 

Para além destas instalações, existe ainda outra no Porto destinada a doentes negativos (utentes de lares onde foram identificados casos positivos e tiveram de ser transferidos, doentes de hospitais não infectados mas que podem ser transferidos para libertarem camas e pessoas com teste negativo que precisam de vigilância e não têm para onde ir) já em funcionamento, e mais duas no distrito prontas a entrar em funcionamento: o antigo Hospital da Misericórdia em Paços de Ferreira, para doentes positivos, e um mosteiro em Santo Tirso, para doentes negativos. Caso o seminário seja sobrecarregado será apenas necessário mobilizar recursos humanos para accionar estes espaços, que acrescem mais 35 e 3o camas, respectivamente.

Na visita, António Lacerda Sales realçou a “expansibilidade da rede” entre hospitais e unidades, que permitirá uma maior resposta às necessidades dos doentes. A única garantia que deu é a de que há uma preparação contínua “ao nível das instituições hospitalares, da capacidade de testagem e da capacidade de ventilação”. Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado da Saúde abordou também o novo surto de legionella na região Norte, com incidência no litoral de Vila do Conde e Matosinhos, e não se comprometeu com datas para determinar a origem, e gravidade do surto.

Texto editado por Pedro Sales Dias