Crónica de jogo

FC Porto confirma falência na abertura do campeonato

Sem a voz de comando de Pepe, a defesa dos “dragões” ruiu. Anfitriões estiveram intratáveis e perto de mergulhar o campeão num pesadelo.

Oleg e Marega em duelo no embate de Paços de Ferreira
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Oleg e Marega em duelo no embate de Paços de Ferreira LUSA/JOSE COELHO

O FC Porto voltou a perder na Liga (3-2), esta sexta-feira, na deslocação a Paços de Ferreira, em partida da sexta jornada, arriscando ver aumentar de forma significativa a desvantagem para o líder do campeonato.

Sem a experiência de Pepe, o FC Porto falhou estrondosamente na “grande final” de Paços de Ferreira, onde somou a segunda derrota da época, correndo o risco de perder o lugar na casa das máquinas do campeonato. Os “castores” estiveram irrepreensíveis, conquistando importante triunfo em jogo de grande inspiração. 

Depois da troca de elogios entre os dois treinadores, veio o braço-de-ferro táctico, com surpresas de ambos os lados, ainda que concentradas na zona defensiva do FC Porto.

Sem o castigado Zaidu, Sérgio Conceição recuperou a defesa a quatro e apresentou Diogo Leite no eixo, em estreia, surgindo no lugar de Pepe, que assim perdeu o estatuto de totalista.

Também o Paços de Ferreira tinha uma baixa de peso: do goleador Douglas Tanque. Pepa preteriu, ainda, João Amaral, concedendo a titularidade a Hélder Ferreira. Mas a maior novidade foi a estreia do isrealita Dor Jan, que marcou mesmo na primeira oportunidade do jogo.

As mudanças penalizaram, essencialmente, os “azuis e brancos”, que depois de uma entrada de maior domínio territorial comprometiam a missão de estancar as perdas neste arranque de época. Tudo por causa de uma sucessão de erros que começaram em Diogo Leite.

O central entregou a bola numa transição em que não estava pressionado, motivando a rápida variação do centro de jogo dos pacenses. Do lance resultou uma acção perigosa de Luther Singh, com o lateral Corona a tirar-lhe a bola no momento do remate, acabando, contudo, por entregá-la ao avançado israelita, que não acertou à primeira, mas não perdoou na emenda (11').

Apesar da infelicidade, o FC Porto reagiu prontamente e criou uma primeira situação, por Evanilson, bem resolvida pelo guarda-redes pacense. Logo em seguida veio um livre de Sérgio Oliveira... ao poste.

E quando o Paços de Ferreira parecia resignado perante a pressão portista, já depois de Luther Singh ter falhado o segundo golo de forma incrível, a noite escureceu subitamente para os “dragões”.

Na direita, Hélder Ferreira encontrava o espaço necessário para um cruzamento a que Luther Singh correspondeu com assertividade, batendo Marchesín. Um lance que não valeu, porque o VAR detectou uma falta de Dor Jan sobre Mbemba.

Inconformado, Pepa passava a seguir o jogo da bancada, para aplaudir o segundo golo ainda antes do intervalo. Desta feita, Hélder Ferreira cruzava atrasado e Eustáquio batia toda a linha “azul e branca”.

Sérgio Conceição parecia procurar explicações para a falência da equipa, que ainda conseguiu reduzir no sétimo minuto do período de compensações, num penálti de Sérgio Oliveira a punir mão de Eustáquio. Um lance ratificado pelo VAR, perante a revolta e as alegações dos pacences, que apenas viram a inevitabilidade de o jogador da casa tocar a bola quando estava a levantar-se.

Só que amor com amor se paga e o Paços de Ferreira voltou a cravar uma diferença de dois golos a fechar o primeiro quarto de hora da segunda parte, graças a um penálti de Bruno Costa, a castigar mão de Marega, depois de disputar um lance aéreo.

O FC Porto tinha deixado Marko Grujic e Uribe no balneário, apostando numa versão mais criativa, com Nakajima e Luis Díaz, o que parecia estar a resultar até ao golo dos locais. 

Seguiram-se momentos difíceis para Marchesín, que viu Eustáquio dinamitar a barra e a bola morder a linha de golo. O guarda-redes argentino negava, de imediato, o segundo golo a Bruno Costa, levando Conceição a rectificar e a apostar as fichas todas em Taremi e Felipe Anderson, desistindo da dupla Marega e Evanilson. 

Mas acabou por ser Otávio, numa explosão de raiva, a animar os instantes finais do FC Porto (78'), que acabou mesmo por sair derrotado da Capital do Móvel.

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