PS perde maioria absoluta nos Açores, e Chega, IL e PAN entram no parlamento

Noite longa nos Açores. PS perdeu a maioria, PSD aumentou os votos e entram três novos partidos na assembleia legislativa.

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Vasco Cordeiro LUSA/ANDRÉ KOSTERS

Noite eleitoral histórica nos Açores. O PS, que governa a região há 24 anos, perdeu a maioria absoluta que detinha há duas décadas. Pela primeira vez, Vasco Cordeiro vai ter de governar em minoria, naquele que será o seu último mandato à frente do executivo açoriano.

Foi a noite eleitoral mais imprevisível dos últimos anos nos Açores. Habitualmente, a partir do início da noite já se conhece o resultado eleitoral. Há 24 anos que o PS vence as eleições regionais, há 20 anos com maioria absoluta. Desta vez, não foi assim.

Em 2020, as contas fizeram-se até ao fim, ilha a ilha, freguesia a freguesia. No final, o PS perdeu a maioria absoluta. Os socialistas obtiveram 39,13%, o PSD 33,74%, o CDS 5,51%, o Chega 5,06%, o BE 3,82%, o PPM 2,34%, a Iniciativa Liberal 1,93% e o PAN 1,93%.

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Na distribuição de mandatos, o PS consegue 25, o PSD 21, o CDS três, o Chega dois, o Bloco de Esquerda dois, o PPM dois, a Iniciativa Liberal um e o PAN outro. De fora do parlamento regional fica a CDU.

Vasco Cordeiro, líder do PS-Açores e actual presidente do governo regional, parte para o seu último mandato permitido pela lei mais fragilizado. Foi em 1996, aquando da primeira vitória socialista na região, que Carlos César venceu com maioria relativa. Em 2016, no total, o PS teve 46,4% (30 deputados) e o PSD 30,9% (19 deputados). A maioria absoluta nos Açores consegue-se com 29 deputados.

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A luta pelo terceiro lugar foi renhida. O CDS ganhou no limite e conseguiu mais um deputado do que o  Chega, que elegeu dois. André Ventura esteve uma semana em campanha nos Açores e obteve os frutos disso. O Bloco de Esquerda, apesar de ter ficado atrás do partido de André Ventura, manteve os mesmos dois deputados que teve na legislatura anterior. O PPM, que já tem um deputado desde 2008 no Corvo, conseguiu outro deputado, eleito pelas Flores.

CDU desaparece, abstenção diminui

A Assembleia Legislativa Regional dos Açores vai ficar mais repartida do que nunca. Além do Chega, vão entrar a Iniciativa Liberal e o PAN. Ambos elegeram pelo círculo de compensação. Um dos maiores derrotados da noite foi a CDU. Na última legislatura, obteve um deputado, eleito pelas Flores. Nas eleições de 2020, perde o deputado e praticamente desaparece do mapa político açoriano.

Uma das vitórias da noite foi a redução da abstenção. Em 2016, a taxa de abstenção foi a mais elevada de sempre em eleições regionais (59,6%). Em 2020, a abstenção situou-se nos 55%.

Os próximos dias vão ser interessantes na política açoriana. Vasco Cordeiro vai encarar uma situação nova: como governar com maioria relativa? Em 1996, o PS governou com o CDS, mas desta vez os centristas não chegarão para assegurar uma maioria aos socialistas.

Por outro lado, José Manuel Bolieiro, líder do PSD-Açores, realçou ao longo da campanha que era um homem de consensos e que o partido logo tomaria uma posição após os resultados.

Ao longo da campanha, pairou no ar a possibilidade de uma “geringonça” de direita. E os resultados permitem isso: é preciso PSD juntar-se a CDS, Chega, PPM e Iniciativa Liberal. É preciso uma coligação de cinco partidos para ter a maioria absoluta. Uma coisa é certa: à partida para essas eleições, todos os partidos tinham como objectivo acabar com a maioria socialista. E conseguiram. Vinte anos depois.

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