João Almeida sofre, vacila, mas segura camisola rosa do Giro

Rúben Guerreiro, o outro português em prova - e também ele em grande destaque -, perdeu neste domingo a camisola azul, símbolo da liderança da classificação da montanha.

Almeida no Giro 2020
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Almeida no Giro 2020 LUSA/LUCA ZENNARO
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O sofrimento do português após a etapa DR

A etapa de alta montanha ainda não foi suficiente para tirar a João Almeida o trono da Volta a Itália. Neste domingo, na etapa 15, antes de um dia de descanso no Giro, o ciclista português sofreu, mas terminou a etapa no quarto lugar, manteve a liderança da prova (por 15 segundos) e vai dormir pelo menos mais duas noites vestido de rosa.

Serão pelo menos 14 dias históricos no desporto português – nunca um ciclista nacional tinha liderado uma “grande volta” durante tanto tempo –, numa altura em que as casas de apostas já colocam Almeida como segundo principal favorito ao triunfo, apenas superado por Wilco Kelderman.

E este foi um dia em que Almeida não só manteve a camisola rosa como colocou “fora de pista” vários rivais: Nibali, Pozzovivo, McNulty, Konrad, Fuglsang e Bilbao cederam na montanha e perderam mais tempo para o português.

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A classificação geral do Giro após a etapa 15

Esta etapa, ganha por Tao Geoghegan Hart (a quinta vitória da Ineos), permite a João Almeida continuar de rosa – ainda que com muito menos vantagem para Kelderman –, mas, sobretudo, deixa o português cada vez mais consolidado no pódio do Giro, perante o atraso dos restantes rivais (o terceiro classificado, Jai Hindley, está já a quase três minutos).

No final do dia, Almeida mostrou-se feliz. “Garantidamente estou muito feliz. Estou muito agradecido à minha equipa pelo seu trabalho. Sentia-me bem hoje, mas havia ciclistas mais fortes e tenho de lhes dar os parabéns. Nos primeiros quilómetros achei que podia fazer-lhes frente, mas depois tive de ir aos meus limites, foi um sofrimento até ao final”, assumiu.

"Tubarões” descolaram cedo

O filme da etapa é relativamente simples de contar. Depois de anulada a fuga do dia, o início da subida final colocou a nu, muito cedo, as dificuldades de Pozzovivo, McNulty, Konrad Fuglsang e Bilbao – menos cinco rivais para João Almeida.

O grupo dos favoritos rapidamente ficou reduzido a apenas sete ciclistas e também Vincenzo Nibali “rebentou”. Num ápice, com ainda nove quilómetros de subida pela frente, a discussão do Giro parecia estar, cada vez mais, condenada a um duelo entre Kelderman e Almeida.

Porém, a sete quilómetros do topo da subida, o ritmo de Hindley, a “rebocar” Kelderman subida acima, fez mais uma vítima: desta feita foi mesmo João Almeida, já sem nenhum companheiro de equipa para o ajudar. O português não foi ao choque e colocou na estrada o seu ritmo. Insuficiente para chegar ao trio da frente, mas suficiente para segurar a camisola rosa.

Geoghegan Hart venceu na meta, mas Kelderman ainda “caçou” seis segundos de bonificação, com o segundo lugar na etapa. E está, neste momento, a 15 segundos de João Almeida. 

Desta etapa nota ainda para Rúben Guerreiro, o outro português em prova  e também ele em grande destaque , que perdeu neste domingo a camisola azul, símbolo da liderança da classificação da montanha.