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Entrevista

“Se calhar, não é muito interessante ter uma vida normal”

Aos 61 anos, Miguel Guilherme diz que é um “velho actor”. Agora, o velho actor vai fazer de velho jornalista — o Santos Ferreira, director do jornal Última Hora — na peça que se estreia no 8 no D. Maria II, em Lisboa.

Pode ser o melhor actor da sua geração, mas parece um miúdo sem noção — noção, por exemplo, de que toda a gente o conhece. Miguel Guilherme, 61 anos, vai fazer de Santos Ferreira, um director de jornal na peça que se estreia a 8 de Outubro no Teatro Nacional D. Maria II chamada Última Hora. É um “velho actor” que vai fazer de velho jornalista. Ele acha que as duas profissões têm coisas em comum: a vida anormal (“Se calhar a vida normal não é assim tão interessante, eu nunca achei”) e uma certa aura, feita de noites e álcool, que, entretanto, já se vai dissipando. Já somos todos mais bem-comportadinhos. Miguel Guilherme reconhece que toda a gente tem tendência para alguma nostalgia, mas não em tudo: ele não tem nenhuma relativamente à forma como se tratavam as mulheres, por exemplo. Na melhor das hipóteses, com paternalismo. “Fomos educados a considerar as mulheres algo belíssimo, mas com um paternalismo muito grande.” E é nestas questões que ele, que hoje é mais à direita da esquerda do que foi em miúdo, se afirma “um radical”.