Opinião

Cartas ao director

Fátima vs. Avante!

Não podemos neste país, continuadamente dos “três F”, ter dois pesos e duas medidas. Se se trata da Festa do Avante!, promovida pelo PCP e pela sua sindical, cai-lhes todo o país em cima por ser inadmissível (…) em plena época de covid-19, mas que em três dias ficou longe – no total – de juntar 100.000 pessoas, alternadamente e no mesmo espaço. Mas, em simultâneo, todos fazem de conta que nada aconteceu no Santuário de Fátima, onde ao que parece, e num só dia, no 13 de Setembro, estiveram juntas num espaço ainda mais exíguo, e com muitos menos cuidados de distanciamento e utilização de máscaras, 100.000 pessoas. (…) Ora, o contágio pela covid-19 tanto se faz entre comunistas como entre católicos de Roma, que depois regressam às suas casas, por todo o país. E não podemos, não devemos, olhar só para um lado, para o que mais nos convém atacar. (…)

A. Küttner de Magalhães, Porto

Cova da Iria e covid-19

Sou devoto de Nossa Senhora de Fátima. No entanto, como não concordei com a realização da Festa do Avante!, não posso aceitar a concentração de perto de 100 mil pessoas no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Onde estão os críticos da realização da Festa do Avante!? Onde estão os que tanto clamaram contra a concentração ordenada na Quinta da Atalaia? As mais de 100 mil pessoas que rumaram ao Santuário de Fátima elevaram a fé na Virgem Maria, como os militantes do PCP nos ideais de Marx e Lenine. O vírus não distingue entre religião e politica.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

Cidadania disciplinar

Duas crianças, cujas “atitudes cívicas exemplares” foram atestadas pelos Conselhos de Turma da sua escola, sabendo que elas não tinham frequentado a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, mostraram que há outros meios para atingir os objectivos desejados. Esperar-se-ia que esse fosse um caso de estudo – pelo menos que ninguém fosse sancionado por isso. Não foi uma coisa nem outra – as opções polarizaram-se entre tornar a disciplina facultativa ou mantê-la obrigatória; houve mesmo quem propusesse castigar os pais e as crianças, sempre invocando o seu superior interesse. As sanções desmedidas – repetir dois anos, barrar o acesso à universidade, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, Ministério Público – propostas por gente em lugares de responsabilidade são um argumento a favor da necessidade dessa disciplina que só recentemente entrou no programa. Gente que, na vertigem da polarização, parece preferir a frequência das aulas ao aproveitamento, as lições à aprendizagem, o conhecimento ao desempenho.

H. Carmona da Mota, Coimbra

Ai Costa, Costa...

Como é possível que um primeiro-ministro aceite fazer parte da comissão de honra de Luís Filipe Vieira? (…) Lamento profundamente que o primeiro-ministro de Portugal se disponha a proteger uma pessoa que tem problemas com a justiça. Tenho pena mas, infelizmente, não posso fazer mais nada para além de uma censura pública forte.

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

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