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Miguel Feraso Cabral

Ponto do marido: esta “forma machista” de suturar a vagina ainda existe?

O ponto do marido, feito após o parto com o objectivo de apertar a vagina, é apenas a ponta de um novelo cheio de nós por desatar. Perante a carência de estudos científicos, não faltam queixas e relatos vindos de mulheres. Mas será esta uma prática ou um conjunto de mal-entendidos?

Dia 15 de Janeiro de 2013. Depois de três anos a fazer tratamentos de fertilidade, havia chegado um dos dias mais esperados na vida de Maria (nome fictício). Ao fim de horas a palmilhar os corredores do Hospital de Faro, as águas finalmente rebentaram e a algarvia entrou na sala de parto. Foi deitada de barriga para cima na marquesa e o marido ficou ao seu lado. No meio do frenesim, apercebeu-se de que a médica foi buscar “um género de tesoura”. Antes de ter tempo de reagir, já tinha sido feito o corte na área muscular entre a vagina e o ânus, conhecido como episiotomia. No final do parto, ainda em êxtase por ver o seu bebé, Maria teve de ser cosida na vagina. “A médica começou a falar com um tom engraçado para quebrar o gelo. Disse: ‘Então, vamos aqui dar um pontinho para ficar mais apertadinho.’ Mas disse-o a olhar para o meu marido, nem foi para mim”, relembra.