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Filipe Ferreira

D. Maria II vai sentar-se e ouvir Cleo, Isabél e Yracema

De 3 a 13 de Setembro, o Teatro Nacional é ocupado por três actrizes negras que reclamam o palco para contar as suas próprias histórias. Mais do que denúncia, Aurora Negra é uma celebração dos seus percursos.

Conhecemo-la enquanto D. Maria II, mas Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Yracema têm na ponta da língua o seu nome completo: D. Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga. Cleo, Isabél e Nádia sabem mais do que isso. Sabem também que D. Maria II nasceu com o título de Princesa da Beira e se tornou Princesa Imperial do Brasil, antes de ser proclamada Rainha de Portugal e dos Algarves, que recebeu como cognomes “A Educadora” e “A Boa Mãe”. Sabem que nasceu em 1819, em Paço de Cristóvão, no Rio de Janeiro, e que atravessou o Atlântico para reclamar o seu destino. Sabem que as repetidas gravidezes e a dedicação à maternidade colocaram a sua vida em perigo e que sempre respondeu aos avisos dos seus médicos: “Se morrer, morrerei no meu posto”.