Turquia estende missão de navio em zona disputada com Grécia

Ao mesmo tempo, Ancara apela a diálogo para “dividir recursos” no Mediterrâneo Oriental.

Foto
Exercícios militares da Marinha turca na Baía de Esmirna Murad Sezer/Reuters

A Turquia anunciou que o navio de exploração Oruç Reis vai manter-se na zona do Mediterrâneo Oriental até 12 de Setembro. A Grécia diz que o navio está ilegalmente em águas situadas na sua plataforma continental, onde tem direitos exclusivos a eventuais reservas de gás e petróleo que existam.

O atrasar da data de regresso do navio turco, que deveria ter terminado a sua missão esta terça-feira, foi mais um contributo para a subida da tensão quando os dois países trocaram farpas em relação ainda a exercícios militares que levaram a cabo perto de Chipre, com a Turquia a dizer que dificultou o percurso de caças gregos e a Força Aérea grega mostrou vídeos do exercício dos seis F16 a voar entre Chipre e Creta e declarar que tinha uma emboscada pronta para caso de intercepção turca.

Ao mesmo tempo que manteve o navio na zona disputada, a Turquia apelou ao diálogo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, acusou no entanto a Grécia de “provocações” com o apoio da União Europeia (Bruxelas ameaçou sanções a responsáveis turcos).

A preferência da Turquia, disse Cavusolglu esta terça-feira numa conferência de imprensa com o seu homólogo arménio, é “uma solução justa que envolva uma negociação com todos os lados no Mediterrâneo Oriental, para uma divisão justa [dos recursos]”, declarou, citado pela agência Reuters.

Nas últimas semanas, Grécia e Turquia, dois aliados na NATO, têm-se envolvido numa série de trocas retóricas e de acções que se aproximam de conflito mais do que em qualquer altura desde 1996, quando a Turquia pôs uma bandeira sua num ilhéu grego no Egeu. 

Os dois países dizem ter direito a quaisquer recursos de hidrocarbonetos que venham a ser descobertos no local, argumentando que estão nas respectivas plataformas continentais, numa zona onde as ilhas são na maioria gregas.

O Presidente turco, Recep Erdogan, disse que Ancara não se vai deixar “encurralar” numa pequena área perto da sua costa.

A Grécia anunciou entretanto que tenciona exercer o direito a estender as suas águas territoriais – uma acção que não afecta as zonas no centro da disputa, mas é uma viragem em décadas de política externa “passiva” de Atenas.

A preocupação com o potencial de escalada é grande. Da União Europeia, França enviou há duas semanas, uma fragata e caças Rafale para a zona.

O jornalista John T. Psaropoulos, que vive em Atenas, considera pouco provável que a Turquia prefira uma opção militar a não ser em último caso (o isolamento diplomático e consequências de sanções seriam desastrosos, antecipa). Psaropoulos vê estas acções como um meio de levar a Grécia, e Chipre, a aceitarem zonas de exploração conjuntas com a Turquia ou abdicarem de parte do que seria a sua parte se observadas apenas as normas legais internacionais estabelecidas, comenta.