Macau lança aviso mais elevado de inundações, 147 pessoas em abrigos de emergência

São esperadas inundações graves, em especial na área do Porto Interior. As autoridades já tinham apelado à população para evitar deslocações desnecessárias e suspendido a travessia nas pontes.

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O tufão Hato, em 2017, fez várias mortes e provocou estragos em Macau LUSA/ALEX HOFFORD

Macau emitiu esta terça-feira o sinal de risco mais elevado para inundações, que já atingiram as zonas mais baixas da cidade, e o número de pessoas em abrigos de emergência subiu para 147, anunciaram as autoridades.

Também foi emitido alerta de risco máximo para tufão, mas foi entretanto baixado de tempestade tropical de 10 para 8, com as autoridades a informarem que o tufão Higos está a afastar-se gradualmente do território, que mantém o aviso mais elevado de risco de inundações.

“Prevê-se que o vento enfraqueça. Às 7h [00h em Lisboa], o tufão Higos (...) esteve a cerca de 30 quilómetros (...) e está a afastar-se gradualmente”, anunciaram.

A tempestade é a pior do ano em Macau, e é preciso recuar a 2018 e 2017 para encontrar pior, com a passagem dos tufões Mangkhut e Yamaneko, respectivamente.

São esperadas inundações graves, em especial na área do Porto Interior, onde comerciantes e habitantes locais são normalmente afectados, o que motivou as autoridades a emitirem o nível vermelho de storm surge (maré de tempestade).

O aviso foi emitido às 5h30 de quarta-feira (22h30 de terça-feira em Lisboa). O nível de água continua a subir e pode atingir valores entre 1,5 e 2,5 metros, razão pela qual as autoridades suspenderam o fornecimento de energia em algumas zonas da cidade.

O número de pessoas em abrigos de emergência passou de 122 para 147, refugiadas em 17 centros de acolhimento de emergência de Macau, segundo as últimas informações das autoridades que já tinham apelado à população para evitar deslocações desnecessárias e suspendido a travessia nas pontes.

Os centros de saúde de Tap Seac, de Fai Chi Kei, da Areia Preta da Ilha Verde, de São Lourencço, dos Jardins do Oceano e de Nossa Senhora do Carmo-Lago, o Posto de Saúde Provisório de Seac Pai Van e o Posto de Saúde em Coloane foram accionados para prestarem apenas serviços de urgência.

As autoridades encerraram 20 parques de estacionamento, tendo proporcionado alternativas em zonas mais seguras da cidade. Até ao momento não há registo de quaisquer feridos. Macau suspendeu transportes públicos, ligações marítimas e aéreas.

O tufão estava a cerca de 30 quilómetros de Macau quando foi emitido o sinal 10, de acordo com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau (SMG), que advertiram para o facto de o vento sustentável poder atingir ou exceder os 118 quilómetros por hora, acompanhado de rajadas fortes.

O metro ligeiro deixou de funcionar e no aeroporto, onde são reduzidas as ligações aéreas devido à pandemia de covid-19, há apenas a registar um voo atrasado, quatro cancelamentos e oito alterações de horário, não se encontrando nenhum passageiro retido no terminal, segundo a Autoridade de Aviação Civil.

Macau suspendeu as aulas e actividades educativas previstas para hoje, bem como “serviços dos equipamentos de serviços de apoio a crianças e jovens, de serviços de apoio a idosos e de serviços de reabilitação nas zonas baixas”.A escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, que são emitidos tendo em conta a proximidade da tempestade e a intensidade dos ventos.

Para este ano, as autoridades de Macau disseram prever quatro a seis tempestades tropicais no território em 2020, algumas delas podendo mesmo “atingir o nível de tufão severo ou super tufão”.

Desde 2017, dois tufões obrigaram as autoridades a emitirem o alerta máximo. Em Setembro de 2018, a passagem do tufão Mangkhut por Macau deixou prejuízos económicos directos e indirectos no valor de 1,74 mil milhões de patacas (180 milhões de euros).

O Mangkhut provocou 40 feridos e inundações graves no território, onde o sinal máximo de tempestade tropical esteve içado várias horas. Ao todo, as autoridades retiraram 5.650 cidadãos das zonas baixas e 1.346 pessoas recorreram a centros de abrigo de emergência.

Um ano antes, o tufão Hato (posteriormente denominado de Yamaneko pelas autoridades locais), apesar de se caracterizar pela mesma intensidade do Mangkhut, causou 10 mortos, 240 feridos e prejuízos avaliados em 12,55 mil milhões de patacas (1,32 mil milhões de euros).