Putin decidindo a sua vida, e a nossa

Se Putin for a jogo na Bielorrússia o custo será enorme. Se não for, após perder um país vizinho, arrisca-se a perder o seu. Mas há uma hipótese intermédia.

Agosto, já se sabe, é um falso lento. Na verdade, ele é um acelerador da história, e quase sempre pelas más razões. A I Guerra Mundial começou em agosto. A II Guerra Mundial começou oficialmente no primeiro de setembro, mas as tropas alemãs foram mobilizadas contra a Polónia ainda em agosto. E em 2008, nos confins do nosso continente deu-se a primeira guerra europeia do século XXI. Foi a guerra russo-georgiana: uma rápida provocação e uma manobra-relâmpago ocorrida enquanto o mundo estava distraído a ver os Jogos Olímpicos de Pequim foi quanto precisou Putin para amputar a Geórgia de duas províncias separatistas. Em sete dias o assunto estava despachado, ainda antes que a ironicamente chamada “trégua olímpica” acabasse e os líderes da comunidade internacional voltassem de férias. Comemorou-se na semana passada 12 anos destes acontecimentos de que já quase ninguém ouve falar. Putin sabe história e gosta de resolver este tipo de assuntos em agosto.

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