Anulado o afastamento do Manchester City das competições europeias

Recurso do clube inglês para o Tribunal Arbitral do Desporto foi bem-sucedido.

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Reuters/JULIAN FINNEY

O Manchester City não vai cumprir os dois anos de afastamento das provas europeias a que tinha sido condenado em Fevereiro, por violação das regras do fair-play financeiro da UEFA. O apelo feito pelo clube junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) foi bem-sucedido e a decisão inicial foi revertida.

As suspeitas em torno do Manchester City, clube no qual jogam os internacionais portugueses Bernardo Silva e João Cancelo, tiveram como principal alvo a direcção do clube, propriedade do xeque Mansour bin Zayed Al-Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos, magnata que controla ainda os franceses do Paris Saint-Germain. Ambos os emblemas foram alvos de revelações feitas pelo site Football Leaks, uma plataforma gerida pelo português Rui Pinto que abalou o mundo do futebol ao revelar diversas irregularidades.

De acordo com os dados que sustentaram o castigo inicial, de duas épocas de afastamento e 30 milhões de euros de multa, o Manchester City teria inflacionado as receitas de sponsorização para poder cumprir os rácios de equilíbrio financeiro exigidos pela UEFA. O clube contestou a acusação e prometeu recorrer para o TAD.

O resultado desse apelo foi revelado nesta segunda-feira, com a anulação da punição e a redução da multa de 30 para 10 milhões de euros. “Enquanto analisamos a fundo a decisão do TAD, congratulamo-nos com as implicações da decisão enquanto validação da posição do clube e das provas que foram apresentadas”, declarou a direcção do City, em comunicado.

Para além das alegadas infracções contabilísticas, o Manchester City foi também acusado de falta de cooperação com a UEFA na investigação do caso. E foi precisamente por entender que esta suspeita tinha fundamento que o TAD aplicou os 10 milhões de euros de multa aos “citizens”. Por outro lado, não acolheu as restantes infracções que haviam sido apontadas pela UEFA.

“O painel do TAD não encontrou provas suficientemente conclusivas para sustentar as conclusões do Comité de Controlo e Finanças e muitas das alegadas irregularidades foram inviabilizadas por causa do período de cinco anos que consta dos regulamentos”, elucidou a UEFA, em comunicado, referindo-se à janela temporal que permite avançar com penalizações.

Este desfecho é de vital importância para um clube que continua à procura de um título europeu e que já tinha visto alguns jogadores, como Kevin de Bruyne, manifestarem dúvidas sobre o futuro em Manchester caso o afastamento de duas épocas dos palcos europeus se concretizasse. De resto, essa era uma preocupação extensível a muitos dos futebolistas que estão próximos do pico da carreira e que não descartariam a hipótese de procurar novas paragens.