Covid-19. Outono preocupa especialistas, Governo prepara “plano de ataque”

Circulação simultânea dos vírus da gripe e do SARS-Cov-2 faz aumentar preocupações para o período entre Outubro e Fevereiro.

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Paulo Pimenta

Antecipação da época de vacinação da gripe, recurso às teleconsultas para doentes “não covid” e expansão da rede de laboratórios de testagem: estas são algumas medidas que estão a ser preparadas pelo Ministério da Saúde para prevenir um possível agravamento da pandemia de covid-19 depois do regresso às aulas, avança o Expresso na edição deste sábado.

Com a maior movimentação provocada pelo regresso às actividades lectivas, previsto para 14 de Setembro, o aumento do número de casos da covid-19 "poderá ser exponencial”, alerta o epidemiologista Manuel Carmo Gomes

O período que mais preocupa os peritos situa-se entre Outubro e Fevereiro, altura em que o vírus da gripe também estará em circulação no hemisfério norte, com sintomas que se confundem com os da própria covid-19. Além disso, nos meses mais frios, “as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, tentam manter as suas actividades profissionais, os transportes estarão a funcionar e as aulas a decorrer”, afirma Manuel Carmo Gomes ao semanário.

No que toca à vacinação da gripe, o Ministério da Saúde quer alargar o universo de imunizados, dando prioridade aos profissionais de saúde e funcionários de lares, que deverão ser vacinados de forma prioritária logo em Outubro. Também as grávidas deverão receber a vacinação. Portugal aumentou em 38% o número de doses da vacina contra a gripe adquiridas: haverá dois milhões de doses.

Nas regiões de Lisboa e do Porto, densamente povoadas, o risco poderá ser maior, mas, só num cenário extremo, com um “fluxo diário de 75 a 80 internamentos”, os hospitais podem assistir a um cenário semelhante ao início da pandemia, antecipa Manuel Carmo Gomes ao Expresso.

Para reforçar a capacidade, a ministra da Saúde, Marta Temido, quer reforçar o número de camas da Rede Nacional de Medicina Intensiva, mas continua a ser difícil aumentar recursos humanos devido à falta de oferta no mercado de trabalho de médicos e enfermeiros.

Manuel Carmo Gomes diz que uma segunda onda em Portugal será condicionada por três factores: “imunidade da população, comportamento das pessoas e a rapidez de resposta da saúde pública”.

Até esta sexta-feira, Portugal registava 1646 mortes e 30.350 recuperados em 45.679 casos de infecção.

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