“Previsões pessimistas” de Bruxelas “são o resultado” das políticas do Governo, defende CDS

Francisco Rodrigues dos Santos acusou o executivo de António Costa de estar disponível para injectar dinheiro na TAP e para “salvar” o Novo Banco, mas não para salvar as empresas e as famílias.

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Francisco Rodrigues dos Santos conversa com um trabalhador durante a visita à empresa Topázio e Comércio de Ourivesaria LUSA/ESTELA SILVA

O presidente do CDS-PP considerou esta quarta-feira que as “previsões pessimistas” de Bruxelas “são o resultado” das políticas do Governo PS, ao qual exigiu que fale menos da TAP e do Novo Banco e “salve mais empresas e famílias”.

“Em matéria de saúde pública somos todos portugueses, no que respeita a economia não somos todos socialistas. O primeiro-ministro há muito tempo que devia ter acertado o tiro (...). Portugal tem empobrecido (...). Essas previsões pessimistas são o resultado das políticas que estão a ser seguidas pelo Governo socialista”, disse Francisco Rodrigues dos Santos.

De acordo com o que foi noticiado terça-feira, a Comissão Europeia agravou as suas previsões económicas para Portugal este ano face aos choques da covid-19, estimando agora uma contracção de 9,8% do PIB, muito acima da anterior projecção de 6,8% e da do Governo, de 6,9%.

Nas previsões intercalares de Verão divulgadas, o executivo comunitário reviu em baixa as projecções macroeconómicas, já sombrias, da Primavera para o conjunto da zona euro e da UE, mas mostra-se particularmente mais pessimista relativamente a Portugal, ao agravar a projecção de recessão em três pontos percentuais, apenas parcialmente compensada em 2021 com um crescimento de 6,0% (neste caso ligeiramente mais optimista do que os 5,8% antecipados na primavera).

Convidado a comentar estes dados, o líder do CDS-PP, que falava aos jornalistas em Gondomar, no distrito do Porto, acusou o executivo de António Costa de estar disponível para injectar dinheiro na TAP e para “salvar” o Novo Banco. “Para isso aparecem logo 850 milhões, mas não para salvar as empresas e as famílias”, disse.

Francisco Rodrigues dos Santos defendeu o “directo às empresas que passasse” através, disse, “de um choque de tesouraria”, entre outras medidas como o alargamento do layoff simplificado ou “um mecanismo de acerto de contas, uma conta corrente que permitisse às empresas descontar as dívidas do Estado no pagamento dos seus impostos e contribuições”.

O presidente do CDS também sublinhou como ideias “a criação de linhas de crédito com uma percentagem a fundo perdido e uma eliminação dos pagamentos por conta”.

“Estaríamos a tomar uma opção para apoiar as empresas numa altura crítica em que se não for o Estado -- devido à contracção económica e à proibição de exercerem a sua actividade - muitas delas não têm como estacar a esta crise (...). E o Governo terá de gastar muito mais no futuro com prestações sociais”, referiu.

Francisco Rodrigues dos Santos também exigiu que o Governo crie “um quadro fiscal apelativo para o investimento que reduza ao nível estrutural os impostos sobre o trabalho”.

“E aí sim, tornar-nos-emos um país de charneira numa altura em que esta crise por ser tão homogenia se abate igual por todo o globo. Nós podemos estar no pelotão da frente para chamar riqueza para Portugal para depois ela ser distribuída”, apontou, acusando o Governo de “constantemente andar atrás do prejuízo”.

Com uma comitiva com cerca de uma dezena de pessoas, de máscara e numa visita a uma fábrica de ourivesaria, em Valbom, concelho de Gondomar, que durou mais de uma hora e meia e na qual o líder do CDS foi falando com os trabalhadores para conhecer o processo de produção das peças, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que “hoje mais do que nunca é necessário apostar numa estratégia de patriotismo económico” e apelou “ao consumo de marcas portuguesas”.

Num sector da ourivesaria que junta cerca de 4000 empresas e emprega 11.000 trabalhadores, a fábrica Topázio visitada esta manhã por Francisco Rodrigues dos Santos não recorreu ao layoff, emprega 65 trabalhadores e exporta cerca de 30% da produção.

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