Barbara fotografou os seus 12.532 objectos para nos fazer pensar no minimalismo

Durante dois anos, Barbara Inweins fotografou todos os objectos que tem no interior do seu apartamento, em Bruxelas. A série Katalog explora "a vertigem do escrutínio exaustivo do consumo" e "a náusea do excesso". "Adquirir objectos está relacionado, a meu ver, com o medo de sermos insignificantes", disse a fotógrafa belga em entrevista ao P3.

Barbara fotografou 12.532 objectos ©Barbara Iweins
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Barbara fotografou 12.532 objectos ©Barbara Iweins

Se decidíssemos contar todos os objectos que temos em casa, quantos seriam? De acordo com um estudo levado a cabo pela organizadora profissional Regina Lark, citado pelo LA Times, o lar norte-americano ou da Europa Ocidental contém, em média, cerca de 300 mil objectos. Impressionante?

A belga Barbara Inweis, que se considera uma pessoa “comedida” na quantidade de objectos que agrega, concentra 12.532 na sua casa, em Bruxelas. Exactamente 12.532. Sabe-o porque dedicou os últimos dois anos ao registo fotográfico de cada um para a série Katalog, que partilha agora com o P3. O projecto, fruto de um ímpeto exploratório e “neurótico” da fotógrafa, é um convite à reflexão: porque coleccionamos tantos objectos? Que valor lhes atribuímos? São um reflexo de quem somos, das nossas necessidades ou dos nossos medos?

Há cerca de dois anos, Barbara mudou de casa pela 11.ª vez. “E é nessa altura que nos apercebemos da quantidade ridícula de objectos que possuímos, na realidade”, refere, em entrevista ao P3. “Porque há muita coisa que está escondida dentro de armários, em gavetas, em arrumos. E como não vemos esses objectos todos os dias, ficamos com a sensação que não existem.” Mas existem. E a sua ausência do nosso campo visual influencia os nossos hábitos de consumo. “Se todos os nossos objectos estivessem diante dos nossos olhos todos os dias, será que compraríamos mais objectos?”

Barbara é apaixonada por colecções. “O meu trabalho reflecte a minha necessidade de agregar coisas, é algo neurótico. Eu vejo beleza no acto de coleccionar.” Gosta de padrões, de repetição, de segurança, de inércia. “Quando mudo de casa, os meus objectos acompanham-me”, observa. “Isso dá-me uma sensação de protecção. Tudo pode mudar em meu redor, mas algumas referências mantêm-se. Os objectos têm a capacidade de proporcionar esta repetição.”

“Nenhum livro, peça de roupa, nenhum utensílio de cozinha, nem um Lego” escapou à lente de Barbara Inweis. “Quarto por quarto, fotografei cada objecto da minha casa para obter uma visão completa. Forcei-me a enfrentar o volume das minhas posses e a extensão do meu consumo, arriscando ser inundada por um sentimento avassalador de nojo e overdose.” Barbara quis entender o significado de ter objectos. “Guardamo-los por necessidade? Por serem raros? Por serem caros?”

O que tem maior preponderância, na opinião da fotógrafa, é o valor sentimental que lhes atribuímos. “No meu caso, para ser franca, os meus objectos mais valiosos são jóias. Não por serem feitos de ouro ou outros materiais preciosos, mas porque representam pessoas de quem gosto. São objectos que têm ligação com pessoas.” São esses os objectos que gostaria de salvar de um incêndio.

Barbara fez o registo dos objectos e dividiu-os entre várias categorias – cromáticas, tipo de materiais de base, de frequência de uso e divisão da casa onde se encontram depositados; desta forma, também os seus valores imateriais ficam espelhados no projecto. Há entre os objectos de Barbara alguns que são de pouco uso, mas que têm um valor sentimental elevado. E também alguns que utiliza todos os dias que não têm qualquer valor emocional para si. “Eu e o meu irmão digladiámo-nos, há pouco tempo, por uma chávena muito feia que usávamos ao pequeno-almoço na casa da minha avó. Ambos quisemos tê-la. Porque está associada à minha avó e a um período da vida que gostamos de recordar. É um souvenir. Os objectos de maior valor são, por norma, souvenirs.”

Apesar disso, o consumo raramente cessa e cada ocidental continua, ao longo da vida, a adquirir objectos e a descartá-los. A belga crê que na base dessa falsa necess