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Viver melhor com menos: o minimalismo como modo de vida

Ser minimalista é ter o essencial. Não se trata de abdicar da qualidade de vida e do bem-estar, mas antes de identificar e abdicar dos bens materiais que não tenham um propósito claro e que muitas vezes mantemos apenas para preencher vazios existenciais.

“Grande parte da nossa vida é vivenciada sob uma neblina de comportamento automático e habitual. Passamos tanto tempo na caçada. Mas nada nos satisfaz o bastante. E ficamos tão presos à caçada que isso nos torna infelizes.” Ao mesmo tempo que mostra imagens da correria desenfreada ao consumo, é assim que começa Minimalismo: Um documentário sobre as coisas importantes, lançado pela Netflix, mas já disponível na íntegra no YouTube.

O termo “minimalismo” surgiu dos movimentos artísticos que durante o século XX passaram a privilegiar a estética do design e da funcionalidade/utilidade sobre a estética da aparência. Inspiradas por obras como Small Is Beautiful: A Study of Economics As If People Mattered (1973), de E. F. Schumacher, e, mais recentemente, Menos é Mais (2016), de Francine Jay, estas ideias foram migrando para o campo social, levando ao movimento impulsionado pelos amigos Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, protagonistas do documentário e autores de vários livros sobre o tema.

Ambos deixaram para trás carreiras bem-sucedidas para procurar através do minimalismo algo que salários mais altos e uma vida considerada de sucesso não lhes trouxe: felicidade. Identificando o que estava a mais nas suas vidas, os amigos passaram a ser mais conscientes sobre o que tinham e o que compravam, libertando-se, dessa forma, de medos, preocupações e angústias que perceberam não ser mais do que resultado das pressões sociais para consumir.

A ideia é que “viver com menos” nos dá liberdade para “viver melhor”. Se estivermos dispostos a livrarmo-nos do que é acessório, isso possibilita concentrar-nos no que realmente é importante para encontrar a realização pessoal e, principalmente, a felicidade. Porém, Joshua e Ryan deixam claro que não existe uma fórmula para ser minimalista. Esta mudança está directamente relacionada ao que cada pessoa entende como felicidade. Ainda assim, ao longo do documentário são deixadas várias pistas sobre os princípios que podem “guiar” tal transformação.

Ser minimalista é ter o essencial. Não se trata de abdicar da qualidade de vida e do bem-estar, mas antes de identificar e abdicar dos bens materiais que não tenham um propósito claro e que muitas vezes mantemos apenas para preencher vazios existenciais. Ser minimalista é ser consciente. Por outro lado, devemos deliberar sobre a utilidade de cada coisa que compramos e não fazê-lo só pelo estatuto social associado ou ceder a impulsos originados por comportamentos automáticos e habituais.

Ser minimalista é dar mais importância às pessoas do que às coisas. A sociedade do consumo convenceu-nos que ser-se feliz é ter sucesso e sucesso é ter-se sempre a roupa nova da moda, o smartphone mais recente, um emprego melhor, uma casa maior, um carro mais potente… nem que isso signifique trabalhar mais de 12 horas por dia. Ao ter menos coisas e contas para pagar, podemos ter uma vida mais simples e, por essa via, abrir espaço para ter mais tempo para nós e para os outros. Assim, ser minimalista é também ter menos coisas para ter tempo.

Por fim, ser minimalista é ter um modo de vida mais sustentável. Num tempo em que o planeta e a crise climática devem ser uma preocupação de todos, o minimalismo é um movimento que coloca a sustentabilidade no centro das nossas vidas, oferecendo um modo de vida alternativo às práticas que perpetuam o fenómeno do consumismo desenfreado. Assim, agora ao começar a preparar o Natal, é uma boa altura para nos lembrarmos destes princípios e que é possível “viver melhor com menos”.